Interincompreensão e argumentação no discurso

Otávia Marques de Farias

Resumo


 

Neste artigo, propomos uma reflexão teórica acerca das possibilidades de articulação entre o conceito de interincompreensão e o tratamento da argumentação na Análise do Discurso de linha francesa. Tomando como base Maingueneau (1983, 2005), entendemos a interincompreensão como ausência de compreensão mútua no interdiscurso. A argumentação, por sua vez, é considerada com base em Orlandi (1998) e Amossy (2006, 2007, 2011). A partir da constatação de que a interincompreensão estabelece a impossibilidade de um lugar discursivo acessar outro diferente de si, problematizamos qual seria, então, o papel da argumentação em uma teoria do discurso que não ignora o fato de ser a interpretação dos enunciados do ‘outro’ sempre uma tradução, realizada por meio das regras do ‘mesmo’. Concluímos que a argumentação permanece desempenhando papel de extrema relevância, já que é ela que garante a sobrevivência de cada discurso (ainda que temporariamente), ao mesmo tempo em que participa da ordem da História, sendo esta a responsável pelas transformações nas respostas que se apresentam para satisfazer as vontades de verdade de dada sociedade, em dado momento. Para ilustrar, ao final, apresentamos um caso exemplar em que se evidencia a relação entre interincompreensão, argumentação e ordem da História.

 


Palavras-chave


polêmicas discursivas; dimensões argumentativas no discurso; ausência de compreensão mútua.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/actascilangcult.v40i1.34833





ISSN 1983-4675 (impresso) e 1983-4683 (on-line) e-mail: actalan@uem.br

  

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