O Dante Alighieri de Antonio Gramsci: um realismo sem mimese

Yuri Brunello

Resumo


 

Antonio Gramsci constrói nos Cadernos do cárcere uma leitura ‘anticroceana’ do Canto X do Inferno de Dante Alighieri. É uma interpretação baseada na concepção da lacuna textual – manifestada pelo silêncio de Dante frente a Cavalcante de’ Cavalcanti, um dos protagonistas do canto dantesco – como uma estratégia de natureza cultural e, ao mesmo tempo, de valor tanto político quanto social; ou seja, a poesia não é reduzida ao ‘poético’. Gramsci, de fato, recusa a visão da literatura como algo esterilmente ‘superestrutural’. Ler o Canto X, ao contrário, significa entender a poesia dantesca não como uma mimese ou uma representação, mas como a própria realidade imanente: parte de uma totalidade orgânica, na qual cada elemento – e, portanto, um elemento cultural como uma obra literária – constitui uma articulação do conjunto. O presente estudo pretende indicar, no tipo de exegese gramsciana do Canto X, uma tentativa de encontrar nas lacunas textuais não a manifestação, como acreditava Benedetto Croce (1921), da dimensão inefável e pré-lógica da intuição, mas os pressupostos para que o leitor exerça um papel ativo e criativo: racional, de articulação ideológica e de conexão entre o nível cultural, político e econômico da sociedade entendida como um todo.

 


Palavras-chave


ideologia; forma; lacuna.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/actascilangcult.v40i1.35646





ISSN 1983-4675 (impresso) e 1983-4683 (on-line) e-mail: actalan@uem.br

  

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