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A presença do professor em tempos de sofisticação tecnológica: escuta e legitimação

André Souza Lemos

Resumo


A presença do professor é entendida aqui como função do imaginário do estudante coletivo, e um sucedâneo da clínica psicanalítica – que, por sua vez, sucede a relação terapêutica, médica. Pré-condição do ensinar, essa presença é, em tempos de sofisticação tecnológica ainda mais necessária que antes, e é proposto nesse trabalho que ela pode ser chancelada pela escuta qualificada da fala desse estudante – mesmo que não precedida por uma suposição do saber no professor – e pela legitimação daquilo que este produz, não na realidade de uma clínica, mas no das novas escritas computacionais, produção de inteligência coletiva. Essa legitimação está para além do par aprovação/reprovação e, aliás, não é uma atribuição do docente enquanto personagem. Ela pertence ao terreno das virtualidades, cuja atualização não se pode garantir completamente, apenas em níveis de suficiência. Nesse momento, a ação pedagógica implica a corresponsabilização do educando pelo seu próprio desenvolvimento. Esses dois movimentos, a escuta do docente e a responsabilização do discente, indicam uma mudança substantiva na relação pedagógica, que justamente por sua sutileza e transversalidade podem ser eficazes como alternativa às tentações que vivem hoje os ambientes da educação formal, da restauração de mecanismos disciplinares anacrônicos, compostos com os novos dispositivos de controle.

Palavras-chave


Discurso Competente; Relação Pedagógica; Computação; Inquietante; Legitimação

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