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"Adeus, Lenin!": uma nostalgia de futuro

Alexander Martins Vianna

Resumo


O diretor e roteirista Wolfgang Becker produziu e concebeu um filme para a geração jovem que cresceu ou nasceu na Alemanha reunificada, criando deliberadamente empatia entre tal público e o protagonista do filme, o jovem Alex. Pensando justamente na geração que “esqueceu” ou não viveu o mundo das Alemanhas divididas, ele cria uma solução de roteiro muito engenhosa: um filho que tenta proteger a mãe do impacto cultural da ocidentalização acelerada da antiga Alemanha Democrática Popular (DDR), para que não perceba que, após os seus oito meses de coma, todo o mundo bipolar que dava sentido à sua vida ruíra repentinamente, sendo substituído pela abundância socialmente excludente da economia de mercado.

 

No entanto, se Alex tenta “fazer durar” o mundo a que sua mãe servia, vai introduzindo aos poucos (na sua materna, fictícia e televisiva DDR) a sua própria visão das coisas. Com isso, ele ensaia a fictícia possibilidade de uma unificação Alemã que pudesse combinar abertura democrática e socialismo, solidariedade e abundância. Portanto, ao final do filme, em seu jogo de memória recomposta, Alex/Wolfgang Becker oferece à geração de alemães do mundo pós-Guerra Fria uma nostalgia de futuro.


Palavras-chave


Queda do Muro de Berlin - Cinema - Fim da Guerra Fria

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