NOVOS SUJEITOS E A LUTA PELA TERRA: OS CIGANOS CAMPONESES NO TRIÂNGULO MINEIRO E ALTO PARANAÍBA (MG)

Franco Andrei Borges, Marcelo Cervo Chelotti

Resumo


A multiplicidade de territórios e a diversidade que emerge com a presença de novos sujeitos em processos de reforma agrária é o que abordamos neste trabalho. Consideramos para a pesquisa o Projeto de Assentamento “Paulo Faria”, onde ciganos e não ciganos lutam por território, engajados em movimentos de reivindicação de terras. Para a pesquisa de campo, foram realizadas doze entrevistas com ciganos e não ciganos com o objetivo de buscar dados sobre a inserção cigana na estrutura fundiária agrária por meio dos movimentos socioterritoriais. As entrevistas foram feitas por meio de questionários semiestruturados, com a finalidade de entender os processos de deslocamento desses sujeitos, principalmente os ciganos, em função do movimento de luta pela terra e o assentamento nos lotes. A partir dessas entrevistas, percebemos como os ciganos se organizam politicamente em função dos ideais socioterritoriais, com seus deslocamentos entre cidades de Minas Gerais e Goiás. A princípio, imaginávamos que eram sujeitos nômades, o que não é verdade. A partir dos dados, depreendemos que, em meio a conflitos diversos, choque cultural e controle das associações e de insumos produtivos, emerge um processo de produção identitária no qual o cigano, antes nômade e andante, estabelece-se em um território e constrói sua identidade em um espaço de luta política e de novos modos de se relacionar com os assentados não ciganos.

Palavras-chave


Gypsies; Rural settlements; Culture shock; Identity

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/revpercurso.v8i1.26360



ISSN: 2177-3300 (on-line)