CRENÇAS SOBRE O BOM CUIDADOR PROFISSIONAL DE IDOSOS DEPENDENTES NO CONTEXTO DOMICILIAR

Isabela Gianfrancisco, Gabriela das Neves Dietrich, Camila Rodrigues Garcia, Samila Sathler Tavares Batistoni, Beatriz Aparecida Ozello Gutierrez, Deusivania Vieira da Silva Falcão

Resumo


Este estudo teve por objetivo investigar as crenças sobre o que é ser um bom cuidador profissional de idosos dependentes no contexto domiciliar. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo e transversal. A amostra foi composta por 59 cuidadores profissionais de idosos, recrutados por conveniência. Os dados foram coletados por meio de entrevistas utilizando um questionário elaborado a partir da revisão bibliográfica. Para análise dos dados, utilizou-se a análise de conteúdo proposta por Bardin (1977/2000). As categorias foram classificadas a partir de três elementos da competência profissional, a saber: conhecimento, habilidades e atitudes. O maior número de variáveis que caracteriza o que é ser um bom cuidador profissional de idosos no contexto domiciliar está na categoria atitudes. A subcategoria mais relatada foi a demonstração de afetos com 55 unidades de análise (39%). A categoria conhecimento gerou três subcategorias, sendo a mais destacada, os “procedimentos técnicos” com 33 (50,8%) unidades de análise. Na categoria relacionada às atitudes, a subcategoria destacada foi a realização profissional. Os resultados obtidos sugerem a necessidade de aprimorar o processo de capacitação dos cuidadores formais de idosos, refletindo-se sobre a heterogeneidade e as múltiplas dimensões da velhice, visando promover a melhoria da capacidade funcional dos idosos dependentes. Também, é crucial favorecer reflexões acerca dos estigmas, estereótipos e preconceitos relacionados à velhice; superar as deficiências técnicas e fortalecer a identidade do profissional cuidador.


Palavras-chave


Idoso; cuidadores; crenças.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/psicolestud.v22i3.32508

ISSN 1413-7372 (impressa) e ISSN 1807-0329 (on-line). Avaliada pela CAPES/ANPEPP como A1

 

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