O EXERCÍCIO PARENTAL CONTEMPORÂNEO E A REDE DE CUIDADOS NA PRIMEIRA INFÂNCIA

Nathalia Teixeira Caldas Campana, Isabel Cristina Gomes

Resumo


A possibilidade de as mulheres se dedicarem à carreira profissional e a constatação de que os homens estão mais participativos nos cuidados com os filhos instiga a investigação do exercício parental no contemporâneo, com o objetivo de verificar se existem modificações nessas relações de cuidado, quais os principais desafios encontrados e qual é a participação dos pediatras e das escolas quanto a este assunto. De metodologia qualitativa, cinco casais heterossexuais, pertencentes à classe média, com filhos de até três anos e os respectivos pediatras e coordenadores educacionais participaram do estudo por meio de entrevistas semidirigidas. Os resultados indicaram que a parentalidade está em um período de transição entre o modelo tradicional e igualitário. O pediatra ocupa o lugar de orientador, enquanto as escolas dividem diretamente com os pais o cuidado com a criança. Sugere-se que, para o estabelecimento da parentalidade igualitária, sejam questionadas as posições naturalistas e a ínfima licença paterna.  


Palavras-chave


Parentalidade; rede de cuidados; gênero.

Texto completo:

PDF PDF (English) (baixado

Referências


Amazonas, M. C. L. A.; Vieira, L. L. F.; & Pinto, V. C. (2011). Modos de subjetivação femininos, família e trabalho. Psicologia: Ciência e Profissão, 31(2), 314-327. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932011000200009

Andrade, M. L., Mishima-Gomes, F. K. T.; & Barbieri, V. (2012). Vínculos familiares e atendimento psicológico: a escuta dos pais sobre a alta da criança. Revista da SPAGESP, 13(1), 5-13.

Arruda, S. L. S., & Lima, M. C. F. (2013). O novo lugar do pai como cuidador da criança. Est. Interdisciplinares em Psicologia, 4(2), 201-216. http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2013v4n2p201

Avena, M.E., & Rabinovich, E.P. (2016). Família, paternidade e parentalidade. In L.V.C. Moreira, E.P. Rabinovich, & P.C.S.V. Zucoloto (orgs.), Paternidade na sociedade contemporânea – o envolvimento paterno e as mudanças na família. (pp.101-121). Curitiba, PR: Juruá Editora.

Bardin, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

Bilac, E. D. (2014). Trabalho e família: Articulações possíveis. Tempo Social, 26(1), 129-145.http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20702014000100010

Bleger, J. (1980) Temas de Psicologia entrevistas e grupos. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

Bruschini, M. C. A., &Ricoldi, A. M. (2012). Revendo estereótipos: o papel dos homens no trabalho doméstico. Revista Estudos Feministas, 20(1), 259-287. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-026X2012000100014

Castoldi, L. G. T. R., & Lopes, R. C. S. (2014). Envolvimento paterno da gestação ao primeiro ano de vida do bebê. Psicologia em Estudo, 19(2), 247-259. http://dx.doi.org/10.1590/1413-737222105008

Cia, F.; &Barham, E. J. (2014). Como se tornar um pai presente: impactos de um grupo de pais. Psicologia Argumento, 32(76). DOI: 10.7213/psicol.argum.32.076.AO09

Fiorin, P. C., Oliveira, C. T. & Dias, A. C. G. (2014). Percepções de mulheres sobre a relação entre trabalho e maternidade. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 15(1), 25-35.

Fiterman, H., & Moreira, L.V.C. (2016). Primeiros passos de um pai: relato de caso acerca do envolvimento paterno durante a gestação, nascimento e aos três meses do bebe. In L.V.C. Moreira, E.P. Rabinovich, & P.C.S.V. Zucoloto (orgs.), Paternidade na sociedade contemporânea – o envolvimento paterno e as mudanças na família. (pp.101-121). Curitiba, PR: Juruá Editora.

Jablonski, B. (2010). A divisão de tarefas domésticas entre homens e mulheres no cotidiano do casamento. Psicologia: Ciência e Profissão, 30(2), 262-275. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932010000200004

Jager, M. E., &Bottoli, C. (2011). Paternidade: vivência do primeiro filho e mudanças familiares. Psicologia: teoria e prática, 13(1), 141-153.

Jager, M. E.,& Dias, A. C. G. (2014). Paternidade adolescente e o envolvimento paterno na perspectiva bioecológica do desenvolvimento humano. Pensando familias, 18(1), 45-54.

Kosakowska-Berezecka, N., Besta, T., Adamska, K.,Jaskiewicz, M., Jurek, P. et al. (2016). If my masculinity is threatened i won’t support gender equality? The role of agentic self-stereotyping in restoration of manhood and perception of gender relations.Psychology of men & masculinity, 17(3), 274-284.http://dx.doi.org/10.1037/men0000016

Lyonette, C.; Kaufman, G.; & Crompton, R. (2011) We both need to work: maternal employment, childcare and health care in Britain an the USA. Work, Employment & Society March. 25(1) 34-50. doi: 10.1177/0950017010389243

Lopes, M. N.; Dellazzana-Zanon, L. L.; &Boeckel, M. G. (2014).A multiplicidade de papéis da mulher contemporânea e a maternidade tardia. Temas em Psicologia, 22(4), 917-928. https://dx.doi.org/10.9788/TP2014.4-18

Malmquist, A. (2015). Womem in lesbian relations: construing equal or unequal parental roles? PsychologyofWomemQuarterly, 39(2), 256-267.DOI: 10.1177/0361684314537225

Prado R. M., & Fleith, D. de S. (2012) Pesquisadoras brasileiras: conciliando talento, ciência e família. Arq. bras. Psicol, 64( 2 ), 19-34.

Quek, K. M. T., Knudson-Martin, C., Orpen, S. & Victor, J. (2011). Gender equality during the transition to parenthood: A longitudinal study of dual-career couples in Singapore. Journal of Social and Personal Relationships, 28(7), 943-962. DOI: 10.1177/0265407510397989

Rehel, E. M. (2014). When dad stays home too: paternity leave, gender, and parenting.Gender&Society, 28(1), 110-132.DOI: 10.1177/0891243213503900

Rocha-Coutinho, M. L. (2013). A difícil arte de harmonizar família, trabalho e vida pessoal. In T. Féres-Carneiro (org.), Casal e família: transmissão, conflito e violência. (pp.13-34) São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.

Seabra, K. C., &Seidl-de-Moura, M. L. (2011). Cuidados paternos nos primeiros três anos de vida de seus filhos: um estudo longitudinal. Interação em Psicologia. 15(2), 135-147. http://dx.doi.org/10.5380/psi.v15i2.17330

Stevens, E. (2015). Understanding discursive barriers to involved fatherhood: the case of Australian stay-at-home fathers. Journal of Family Studies, 21(1), 22-37.http://dx.doi.org/10.1080/13229400.2015.1020989

Silva, E. A., Bengio, F. C. S., Reis, K. K. T., &Piani, P. P. F. (2012). A noção de paternidade no documento "Situação da infância brasileira. Desenvolvimento infantil: os primeiros seis anos de vida", da UNICEF. Revista do NUFEN, 4(2), 49-60.

Turato, E. R. (2005). Métodos qualitativos e quantitativos na área da saúde: definições, diferenças e seus objetos de pesquisa. Revista de Saúde Pública, 39(3), 507-514.

Van Hoff, J.H. (2011) Rationalising inequality: heterosexual couples’ explanations and justifications for the division of housework along tradionally gendered lines. Journal of Gender Studies, 20(1), 19-30. DOI: 10.1080/09589236.2011.542016

Viala, E. S. (2011). Contemporary family life: a joint venture with contradictions. NordicPsychology, 63(2), 68-87.DOI: 10.1027/1901-2276/a000033

Vieira, G. T., & Nascimento, A. R. A. (2014). Aspectos psicossociais na construção da identidade paterna. Psicologia: Teoria e Prática, 16(1), 57-68. http://dx.doi.org/10.15348/1980-6906/psicologia.v16n1p57-68.




DOI: http://dx.doi.org/10.4025/psicolestud.v22i3.35067

ISSN 1413-7372 (impressa) e ISSN 1807-0329 (on-line). Avaliada pela CAPES/ANPEPP como A1

 

Resultado de imagem para CC BY