IMPLANTE COCLEAR E TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: VIVÊNCIA DE MÃES

Carolina Ruiz Longato-Morais, Mariani da Costa Ribas do Prado, Midori Otake Yamada

Resumo


Para pessoas com deficiência auditiva (DA) severa ou profunda pode ser indicado o implante coclear (IC), dispositivo implantado na orelha cirurgicamente. Há um número significativo de crianças com DA e outras comorbidades, entre elas o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O objetivo desse estudo foi compreender a vivência de mães de crianças com IC e diagnóstico de TEA. O estudo foi de natureza qualitativa e o método utilizado foi a investigação fenomenológica, que consiste na apreensão do fenômeno tal como ele se manifesta para a pessoa que vivencia. Foram entrevistadas seis mães de crianças usuárias do IC e com diagnóstico de TEA. Os depoimentos foram submetidos ao processo de análise fenomenológica e se desvelou em sete categorias temáticas: O impacto das múltiplas deficiências; Dedicação exclusiva aos filhos; “Vinte e quatro horas correndo atrás”; “Só está faltando ele falar”; “O implante coclear foi uma bênção na minha vida e na dele”; Necessidade de apoio psicossocial; Como se sentem atualmente. As mães revelaram como são afetadas subjetivamente na sua relação com o filho com IC e diagnóstico de TEA, indicando impacto negativo na qualidade de sua vida. O IC significou a possibilidade de seu filho participar do mundo sonoro e elas poderem ter mais acesso ao mundo deles. A esperança no desenvolvimento da fala de seu filho passa a ser o sentido para continuarem a trajetória. Destaca-se a necessidade de serviços de suporte aos pais, a importância do trabalho em equipe interdisciplinar e o estímulo à rede de apoio.

Palavras-chave


Implante coclear; autismo; relações mãe-criança.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/psicolestud.v22i4.35371

ISSN 1413-7372 (impressa) e ISSN 1807-0329 (on-line). Avaliada pela CAPES/ANPEPP como A1

 

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