“PAPAI NÃO TEM LEITE!” CONSIDERAÇÕES SOBRE O HOLDING PATERNO NA DEPENDÊNCIA ABSOLUTA

Carine Valéria Mendes dos Santos, Andrés Eduardo Aguirre Antúnez

Resumo


Considerando a emergência de uma postura paterna afetivamente implicada nos cuidados diários demandados no período da dependência absoluta, este artigo tem o objetivo de analisar a possibilidade de constituição do holding paterno nos cuidados diretos oferecidos ao bebê. Dessa forma, apresenta-se um estudo de caso construído a partir das observações das interações de uma díade pai-bebê, realizadas no primeiro trimestre de idade da criança, e de duas entrevistas (pré e pós-nascimento) realizadas com o pai. Empreendeu-se uma análise de conteúdo do material que fomentou uma discussão psicanalítica e psicossocial sobre a possibilidade de constituição do holding paterno capaz de introduzir, na subjetividade do bebê, elementos de diversidade: sensoriais e perceptivos; psicoafetivos; e espaço-temporais. As elaborações apontam a possibilidade de ampliação de aspectos constitutivos do holding a partir da inserção dos cuidados diretos oferecidos ao bebê pelo pai; a necessidade de adaptação e flexibilização da teoria winnicottiana frente às dinâmicas relacionais apresentadas nas famílias contemporâneas; e a necessidade de legitimação do pai como um cuidador durante o ciclo gravídico-puerperal.


Palavras-chave


Relações pai-criança; teoria psicanalítica; Winnicott.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/psicolestud.v23i0.40297

ISSN 1413-7372 (impressa) e ISSN 1807-0329 (on-line). Avaliada pela CAPES/ANPEPP como A1

 

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