Abençoada cura: poéticas da voz e saberes de benzedeiras

Lidiane Alves da Cunha, Luiz Carvalho Assunção

Resumo


Este artigo se propõe a adentrar neste duplo universo: o aspecto mágico/religioso dos saberes das benzedeiras e o papel da palavra enquanto elemento de cura. Esse conhecimento, das quais somente estas são conhecedoras, se faz presente e se performatiza no instante, em que visível e invisível irão compor a força e o poder das palavras das benzedeiras, que não podem ser ensinadas à esmo sob pena de perder sua “força”. Assim, questiono por que as benzedeiras não ensinam o significado de suas preces, a não ser em determinados contextos de transmissão do saber? Que implicações esse preceito traz para o ofício nos dias de hoje? A partir das orações pronunciadas nos rituais de cura, elas performatizam a palavra, a voz, as narrações e memórias. O objetivo é alcançarmos essa fonte de saber existente na oralidade, a benzeção, desvendando a essência existente por trás da palavra, pois mais do que o significado literal, as palavras têm o poder de curar, sem a necessidade de possuir uma função definida, bem como de ser um saber transmitido em contextos em que a poética da voz se faz presente. É através da análise teórica dos textos, da etnobiografia e observação participante que buscamos nos aproximar do campo de atuação das benzedeiras nas cidades de Natal, Parnamirim -­ RN. Como referencial teórico, a obra de Paul Zumthor será a base para a construção das categorias voz, poesia oral, performance e oralidade. Também partiremos das obras de Richard Sennett, Walter Benjamim e Maurice Halbwachs e Walter Ong como eixo norteador dos estudos sobre oralidade, memória e narração.

Palavras-chave


Benzedeiras, ofício, cura, voz, memória e performance

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/rbhranpuh.v9i27.31436

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