O sistema migratório haitiano nas guianas: para além das fronteiras
Resumo
As Guianas constituem um importante campo migratório no sistema migratório caribenho, pelo qual circulam mercadorias, objetos, moedas e populações por razões diversas: proximidade geográfica, cultural, fatores climáticos, geopolíticos e socioeconômicos. A partir das décadas de 1960 e 1970, a migração haitiana ganhou densidade nas Guianas. Cinco décadas mais tarde, após o terremoto de janeiro de 2010, os espaços migratórios intensificaram-se na região, o Brasil tendo se tornado parte deles, como um país de residência e de passagem para se alcançar a Guiana Francesa e o Suriname. Em 2013, houve mudanças nas rotas. Alguns migrantes passaram a utilizar a República da Guiana para ingressar ao Brasil pela fronteira com Roraima, na Amazônia, ou para atravessar a fronteira em direção ao Suriname e à Guiana Francesa. Este artigo articula-se em dois níveis. Em primeiro lugar, descreve o modo pelo qual as práticas e as trajetórias dos migrantes entrecruzam as fronteiras nacionais nas Guianas. Em seguida, analisa o sistema migratório, os documentos e papéis, e as problemáticas que as diferentes gerações migratórias haitianas suscitam no espaço e no tempo. A pesquisa etnográfica articula-se a partir da Tríplice Fronteira Brasil, Colômbia e Peru, mas desenvolve-se também no Suriname, na Guiana Francesa e no Haiti.
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