A crise do Beagle revisitada, 1978: um estudo com fontes (diplomáticas) brasileiras.

Palavras-chave: História das Relações Internacionais, Política Internacional, Análise de Política Externa, América do Sul, Brasil, Argentina, Chile

Resumo

Em dezembro de 1978, uma disputa interestatal militarizada quase provocou uma guerra entre o Chile e a Argentina. A motivação dessa divergência era, fundamentalmente, a posse de algumas ilhotas e sua correspondente projeção marítima no extremo sul do continente americano – isto é, as fronteiras marítimas, bem como o assim chamado princípio da divisão bioceânica Atlântico-Pacífico entre ambos os países. O momento mais dramático do conflito aconteceu entre 12 e 22 de dezembro. E somente a providencial intervenção de uma terceira parte, neste caso do papa João Paulo II, evitou uma tragédia de grandes proporções no Cone Sul. Neste contexto, o presente artigo propõe-se explorar as percepções, interpretações e iniciativas brasileiras diretamente vinculadas à crise argentino-chilena. O manuscrito é resultado de pesquisa em história das relações internacionais. Documentação primária foi coletada no Arquivo Nacional – Coordenação Regional no Distrito Federal – e no Arquivo do Ministério das Relações Exteriores; ambos os arquivos localizados em Brasília, Distrito Federal.

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Biografia do Autor

Virgílio Arraes, Universidade de Brasília

Virgílio Caixeta Arraes é Doutor em História e docente do Programa de Pós-graduação em História da Universidade de Brasília. Publicações relevantes mais recentes: Estados Unidos: a potência fatigada (Brasília: Verdana, 2015); Introdução ao Estudo das Relações Internacionais (São Paulo: Saraiva, 2013; e A potência em crise: os Estados Unidos no início do século XXI (Brasília: Verdana, 2009). E-mail institucional: arraes@unb.br ou arraes@gmail.com. Orcid: 0000-0002-6646-1788.

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Publicado
2022-12-01
Como Citar
Domínguez Avila, C., & Arraes, V. (2022). A crise do Beagle revisitada, 1978: um estudo com fontes (diplomáticas) brasileiras. Dialogos, 26(2), 23-46. https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i2.57763