A multiplicidade de territórios e a diversidade que emerge com a presença de novos sujeitos em processos de reforma agrária é o que abordamos neste trabalho. Consideramos para a pesquisa o Projeto de Assentamento “Paulo Faria”, onde ciganos e não ciganos lutam por território, engajados em movimentos de reivindicação de terras. Para a pesquisa de campo, foram realizadas doze entrevistas com ciganos e não ciganos com o objetivo de buscar dados sobre a inserção cigana na estrutura fundiária agrária por meio dos movimentos socioterritoriais. As entrevistas foram feitas por meio de questionários semiestruturados, com a finalidade de entender os processos de deslocamento desses sujeitos, principalmente os ciganos, em função do movimento de luta pela terra e o assentamento nos lotes. A partir dessas entrevistas, percebemos como os ciganos se organizam politicamente em função dos ideais socioterritoriais, com seus deslocamentos entre cidades de Minas Gerais e Goiás. A princípio, imaginávamos que eram sujeitos nômades, o que não é verdade. A partir dos dados, depreendemos que, em meio a conflitos diversos, choque cultural e controle das associações e de insumos produtivos, emerge um processo de produção identitária no qual o cigano, antes nômade e andante, estabelece-se em um território e constrói sua identidade em um espaço de luta política e de novos modos de se relacionar com os assentados não ciganos.
Biografia do Autor
Franco Andrei Borges, Universidade Federal de Uberlandia - MG
Ciencia Humans, Geografia Humana
Marcelo Cervo Chelotti, Programa de Pós-Graduação em Geografia - PPGeo
Universidade Federal de Uberlândia - MG