A territorialidade discursiva liberal-conservadora: a análise do discurso ultraliberal sobre a reforma agrária

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4025/bolgeogr.v43.a2025.e79715

Palavras-chave:

discurso, ideologia, liberalismo, nova direita, questão agrária

Resumo

Este artigo tem como objetivo central analisar o sentido e os desdobramentos do discurso ultraliberal sobre a reforma agrária no Brasil, com foco em publicações do Instituto Liberal (IL). A justificativa reside na necessidade de compreender como este discurso estabelece uma territorialidade discursiva liberal-conservadora que promove desinformação, negacionismo e radicalidade política em torno da pauta agrária, buscando deslegitimar a política pública e criminalizar os movimentos sociais do campo. Para tanto, a metodologia emprega a Análise do Discurso (AD) francesa, articulando a linguística com o referencial teórico de território e territorialidade, e utiliza as teses conservadoras de Albert Hirschman (perversidade, futilidade e ameaça) como ferramenta analítica. A análise do corpus textual do Instituto Liberal, coletado entre 2013 e 2023, demonstrou que o discurso emprega, sobretudo, a tese da perversidade, alegando que a reforma agrária é infrutífera e transforma pobres sem-terra em proprietários sem renda. O discurso atua no contrapúblico ultraliberal, desvalorizando a reforma como conceito vazio e a associando à demagogia da esquerda, ao mesmo tempo em que criminaliza o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), comparando-o a um movimento subversivo criminoso. Conclui-se que esse discurso ultraliberal constrói e expande uma territorialidade discursiva, reforçando a manutenção do status quo e defendendo o hibridismo ideológico no Brasil.

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Publicado

2026-03-03

Edição

Seção

Artigos científicos

Como Citar

A territorialidade discursiva liberal-conservadora: a análise do discurso ultraliberal sobre a reforma agrária. Boletim de Geografia, [S. l.], v. 43, p. 72–92, e79715, 2026. DOI: 10.4025/bolgeogr.v43.a2025.e79715. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/BolGeogr/article/view/79715. Acesso em: 6 jun. 2026.