Corpo, obra e lugar: Dimensões fenomenológico-geográficas em instalações de arte contemporânea
Resumo
O presente ensaio propõe uma reflexão fenomenológico-geográfica sobre a arte contemporânea como espaço de experiência e produção de sentidos de lugar. Reflete-se acerca de como a relação corpo-obra-lugar gera geograficidades que revelam dimensões existenciais e telúricas de ser-no-mundo. Para tanto, ele parte da análise de quatro instalações artísticas: “Passo” (1995), de Lucia Nogueira; “Através” (1983), de Cildo Meireles; “Black³” (2008), de Robert Irwin; e “Embrionário” (2003), de Elisa Bracher. Cada uma é interpretada como um lugar-obra, em que o espectador é convidado à imersão (inter)corporificada, perceptiva e imaginativa. Os conceitos gregos de “Chöra” (espaço primordial, caótico e aberto) e de “Topos” (lugar concreto, habitado e significativo) orientam o desvelamento geográfico-criativo das obras, evidenciando a transição entre o caos perceptivo e a construção de sentido. Essas experiências espaciais decorrentes dos lugares-obras demonstram que a arte não somente representa o mundo, mas o produz — criando topologias sensíveis nas quais percepção e imaginação se fundem. Conclui-se que os lugares-obras constituem núcleos de compreensão geográfica da existência, nos quais o corpo e a Terra se entrelaçam (geo)poeticamente. Nessa perspectiva, a arte contemporânea revela-se um campo privilegiado para pensar relações estabelecidas na solidariedade sensível entre os seres e o mundo geográfico.
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