Colonialismo e encobrimento de passados africanos: o caso do Grande Zimbábue, entre a História e a Literatura (1890-1900)
Resumo
Ao longo do século XIX, as ruínas do Grande Zimbábue, o assentamento principal de um antigo reino shona que se constituiu no planalto zimbabuano, foi alvo de controvérsias acerca das origens da sociedade que construiu essas estruturas de pedra. Em documentos produzidos por exploradores e cronistas europeus, enredou-se a “hipótese fenícia”, mediante a qual o Grande Zimbábue teria sido construído por colonizadores semíticos na Antiguidade. O artigo analisa dois documentos produzidos no período, The Ruined Cities of Mashonaland (1892), de Theodore Bent, e o romance histórico Elissa (1900) de H. Rider Haggard, com ênfase nas relações entre colonialismo e encobrimento de passados africanos no entrelace da História e da Literatura.
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