Impressões e emoções de Júlio de Matos (1856-1922) sobre o Porto e as suas instituições entre finais do século XIX e inícios do século XX
Resumo
O presente artigo analisa a correspondência pessoal de Júlio de Matos, psiquiatra português que teve um importante papel na reorganização da assistência aos alienados, o que lhe valeu a animosidade da Misericórdia do Porto. A correspondência trocada com vários destinatários, designadamente com familiares, permite aceder às emoções e aos sentimentos do médico, naquele que é um processo de catarse perante as dificuldades vividas após o litígio em que se viu envolvido com a Santa Casa portuense. Nas suas cartas, a cidade do Porto, os seus habitantes e instituições adquirem traços caricaturais, até mesmo patológicos, e a severidade das palavras e das observações evidencia o desalento e a mágoa que afligiam Júlio de Matos.
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Referências
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