Impressões e emoções de Júlio de Matos (1856-1922) sobre o Porto e as suas instituições entre finais do século XIX e inícios do século XX

Palavras-chave: Júlio de Matos, História das emoções, História da Psiquiatria (Portugal), Porto (século XIX-XX), Assistência (Alienados)

Resumo

O presente artigo analisa a correspondência pessoal de Júlio de Matos, psiquiatra português que teve um importante papel na reorganização da assistência aos alienados, o que lhe valeu a animosidade da Misericórdia do Porto. A correspondência trocada com vários destinatários, designadamente com familiares, permite aceder às emoções e aos sentimentos do médico, naquele que é um processo de catarse perante as dificuldades vividas após o litígio em que se viu envolvido com a Santa Casa portuense. Nas suas cartas, a cidade do Porto, os seus habitantes e instituições adquirem traços caricaturais, até mesmo patológicos, e a severidade das palavras e das observações evidencia o desalento e a mágoa que afligiam Júlio de Matos.

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Biografia do Autor

Tânia Sofia Correia Ferreira, Universidade do Minho (UMINHO). Braga, PMi-PT

Doutoranda em História Contemporânea (FCT) na Universidade do Minho com o projeto “Prevenir e intervir para fazer viver: as preocupações sanitárias em Portugal (1834-1918). É autora, e coautora, de artigos como, Ciudades portuguesas durante y después de las epidemias: memorias, impactos y transformaciones. El caso de la ciudad de Porto, In “La ciudad contemporânea frente a la amenaza de las pandemias”, Universidade Veracruzana Dirección Editorial, VeraCruz (2024); “'Vamos, senhores: em nome da civilização calcem-se!' A campanha contra o pé descalço na primeira metade do século XX", Anais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (2024); Dominar o corpo para regular a mente. Os meios de contenção nos asilos de alienados no século XIX, In “Reflexões sobre a História do Corpo. Visões interdisciplinares”, Lab2PT, (2024); A Gripe Espanhola em Guimarães: crise e estratégias de recuperação (“Olhares cruzados sobre a história da saúde da Idade Média à contemporaneidade” (2022); A pelagra em Portugal. Entre carência nutritiva e intoxicação alimentar (CEM nº 13, 2021); A utilização "científica" da fotografia no estudo e diagnóstico da alienação mental (REVELAR, 2020), entre outras contribuições em congressos nacionais e internacionais.

Alexandra Esteves, Universidade do Minho (UMINHO). Braga-PMi, PT

Doutora em História Contemporânea e professora associada com agregação do Departamento de História da Universidade do Minho, na qual também exerce as funções de diretora do Mestrado em Património Cultural e de vice-presidente para a Investigação do Instituto de Ciências Sociais. É, ainda, investigadora integrada do Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT) do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, onde coordena o grupo Lands, e investigadora colaboradora do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da Universidade Católica Portuguesa. Nos últimos anos, a sua atividade investigativa tem incidido sobre matérias que se inserem nas áreas da História Social (saúde, doença, assistência, marginalidade, violência, prisões), e da História do Turismo e das Sociabilidades, incluindo questões relacionadas com o lazer, instituições e relações sociais, entre os séculos XVIII e XX.

Referências

Fontes de Arquivo

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Publicado
2026-03-13
Como Citar
Ferreira, T. S. C., & Esteves, A. (2026). Impressões e emoções de Júlio de Matos (1856-1922) sobre o Porto e as suas instituições entre finais do século XIX e inícios do século XX. Dialogos, 29(2), 203-225. https://doi.org/10.4025/dialogos.v29i2.77479