Ressignificações da figura de Cabralzinho por meio da educação formal e não-formal no município de Amapá/AP

Palavras-chave: Cabralzinho, memória, educação formal e não-formal, identidade local

Resumo

O artigo analisa a ressignificação da figura de Francisco Xavier da Veiga Cabral (Cabralzinho) por meio de práticas educativas formais e não-formais no município de Amapá/AP. A pesquisa discute como a narrativa heroica desse personagem é construída, transmitida e atualizada tanto nas escolas, por meio de conteúdos curriculares, projetos pedagógicos e eventos, quanto em manifestações públicas, como a Corrida de Cabralzinho e o Dia de Cabralzinho. Fundamentado em autores como Maurice Halbwachs, José Murilo de Carvalho e Pierre Nora, o estudo evidencia que a memória coletiva sobre Cabralzinho é resultado de um processo dinâmico, que envolve disputas de sentidos, negociações simbólicas e participação ativa da comunidade local. Conclui-se que a integração entre educação formal e não-formal potencializa a transmissão e transformação das narrativas históricas, fortalecendo a identidade e o sentimento de pertencimento dos moradores do município.

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Biografia do Autor

Jonathan Viana da Silva, Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). Macapá-AP, BR

Professor efetivo na Universidade Federal do Amapá-UNIFAP/Campus Binacional ministrando as disciplinas Metodologia de Ensino da História e Prática de Ensino de História. Doutorando em História pelo PPGH-UFPel. Mestre em Estudos de Fronteira (PPGEF-UNIFAP); Licenciado em História pela Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA; especializou-se em História do Amapá pelo Centro Universitário Internacional-UNINTER. Integrou o Programa de Apoio aos Migrantes e Refugiados-PAMER desenvolvido na UNIFAP (2017-2020). Tem experiência na área de Humanas com afinidade às temáticas de pesquisas que envolvem identidades, memória, imaginário, ensino de História, metodologias e práticas para o ensino, além de diálogos sobre fronteira, migração transfronteiriça (em especial fronteira norte Brasil-Guiana Francesa), e mobilidade internacional.

Ana María Sosa González, Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Pelotas-RS, BR

Mestrado (2007) e Doutorado (2011) em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Realizou dois Pós-Doutorados no Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural da UFPel (Interdisciplinar), um como bolsista do PNPDI/CAPES (dez. 2011 a abril 2016) e um outro estágio pós-doutoral no mesmo Programa como bolsista PNPD/CAPES (maio 2016 a agosto 2016), onde desenvolveu o Projeto sobre Políticas Públicas de Memória: cidadania e usos do passado no âmbito do Mercosul, junto ao subprojeto Memória e Políticas de Memória: Patrimonialização e memórias traumáticas no âmbito do Mercosul (1984-2011). Tem experiência em estúdios migratórios e comunitários, e em memória e patrimônio, trabalhando interdisciplinariamente em Antropologia, Psicologia Social e Ciência Política. Atua principalmente nos seguintes temas: migrações latino-americanas, história oral, identidades e narrativas, uruguaios residentes no Brasil, memórias traumáticas e políticas públicas de memória, comunidades transnacionais, patrimônio cultural, entre outros. Coordenou o Subprojeto de Pesquisa sobre o Bairro Quarto Distrito de Porto Alegre para o Centro de Pesquisas Históricas da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre. Participa do Projeto de Mulheres Migrantes do Cone Sul e da Red Iberoamericana de Museos y Estudios Migratorios. Atualmente é Professora Visitante Estrangeira no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

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Publicado
2026-04-14
Como Citar
Viana da Silva, J., & Sosa González, A. M. (2026). Ressignificações da figura de Cabralzinho por meio da educação formal e não-formal no município de Amapá/AP. Dialogos, 30(1), 140-160. https://doi.org/10.4025/dialogos.v30i1.78201