“Dona Sarah veste Dior”: o entrelaçamento de moda e assistência social na atuação da primeira-dama Sarah Kubistchek.

  • Bruno Sanches Mariante Silva Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá-PR BR
Palavras-chave: história da moda no Brasil; primeiro-damismo; história da assistência.

Resumo

Sarah Kubistchek foi primeira-dama de Minas Gerais (1951-1956) e do Brasil (1956-1961), ocupando-se de atividades de assistência social, às quais comparecia sempre muito bem trajada. Ao perscrutarmos o vestuário, estilo e elegância de Sarah queremos analisar a importância da indumentária da personagem da primeira-dama na história da República brasileira e sua utilização como capital simbólico e político. A atuação de Sarah na assistência social também passou pela moda, promovendo os Festivais de Moda, cuja renda direcionava-se para instituições de assistência. Espera-se demonstrar que a figura da primeira-dama influi na moda e seu sistema no Brasil dos anos 1950 e 1960.

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Biografia do Autor

Bruno Sanches Mariante Silva, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá-PR BR

O pesquisador possui Graduação em História (2005-2008) pela Universidade Estadual de Londrina, especializações em História Social (2010) e Patrimônio Cultural (2012) pela Universidade Estadual de Londrina, mestre (2013) e doutor (2018) em História e Sociedade pela Universidade Estadual Paulista - UNESP/Assis. Como pesquisador tem experiência na área de Memória Social, História das Mulheres e no diálogo entre História e relações de gênero, tendo já se dedicado às investigações sobre etnicidade e identidade; espaço urbano e história, patrimônio cultural, história da saúde e das políticas para maternidade e infância. Atualmente dedica-se às reflexões sobre história da assistência da social no Brasil, bem como o primeiro-damismo e o estudo de trajetórias pessoais e biografias.

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Publicado
2022-12-01
Como Citar
Silva, B. S. M. (2022). “Dona Sarah veste Dior”: o entrelaçamento de moda e assistência social na atuação da primeira-dama Sarah Kubistchek. Dialogos, 26(2), 47-76. https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i2.58040