Bancos de desenvolvimento como braço de política pública para transição verde sustentável
Resumo
O processo de adaptação e mitigação à mudança climática exige uma rápida transição verde sustentável. A principal responsabilidade por este processo cabe aos Estados que são legitimados e têm um amplo espectro de instrumentos à sua disposição, tais quais suas instituições e políticas econômicas. Para tanto, tanto, a intencionalidade da promoção do desenvolvimento sustentável necessita do alinhamento das políticas do Estado, suas instituições e, como reflexo, as políticas adotadas – fiscal, monetárias, cambial e industrial, junto com a política de crédito público, devem juntas, garantir a longevidade e sustentabilidade do processo. Bancos de desenvolvimento são essenciais para o processo, mas sua eficácia somente será garantida se houver concatenação das políticas macroeconômicas convencionais atuando em harmonia com os demais instrumentos disponíveis pelo Estado. Para tanto, necessitam não apenas incorporar a sustentabilidade em sua missão, mas especialmente, necessitam de legitimidade para liderarem essa transformação do sistema financeiro e das relações de produção. Partimos da hipótese de que a existência de um sistema financeiro eficiente é condição necessária, mas não suficiente, para a sustentação do processo de desenvolvimento sustentável e da garantia do nível de investimento de forma a assegurar que ocorra mudança estrutural da economia. A funcionalidade do sistema financeiro deve estar voltada para esse novo desafio.
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