Entre a articulação e a desproporcionalidade

relações do Governo Bolsonaro com as forças conservadoras católicas e evangélicas

Palavras-chave: Bolsonarismo. Conservadorismo. Religião e Política. Catolicismo. Evangélicos, Pentecostalismo.

Resumo

As eleições de 2018 evidenciaram uma extrema polarização, potencializada pelas narrativas religiosas, que, pela sua intervenção política e pública obtiveram um espaço no governo de (extrema) direita que emergiu das urnas. Através de um projeto para confessionalizar o país, observou-se em diversas iniciativas envolvendo o Presidente Bolsonaro e suas forças religiosas de apoio, uma confluência para um espectro cristão conservador genérico e difuso. Este carrega uma tensão que possui um aspecto de aliança e ao mesmo tempo de disputa interna entre as narrativas conservadoras evangélicas-pentecostais e católicas. Estas duas grandes e influentes expressões religiosas estariam se unindo ou em disputa em meio ao projeto de poder bolsonarista? Nessa trama, o catolicismo estaria sendo “eclipsado” e o pentecostalismo destacado? A partir da análise de eventos como o “Ato de Consagração do Brasil” e das controvérsias em torno da devastação da Amazônia, da Covid 19 e de um suposto clientelismo das redes televisivas católicas com o governo, buscamos medir o alcance desta influência cristã no poder e o peso relativo de evangélicos e católicos. Assim, esperamos contribuir para posteriores reflexões quanto à possibilidade de uma cultura cristã tradicional generalizada - ainda que com suas clivagens internas - estar gradativamente ocupando a esfera pública no Brasil. Isto, em disputa com outra postura advinda também do cristianismo/catolicismo que dialoga e incorpora as mediações da modernidade.

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Biografia do Autor

Marcelo Ayres Camurça, UFJF

Professor Titular aposentado do Departamento de Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atualmente professor colaborador nesta universidade e professor visitante no Programa de Pós-Graduação em História Social da UERJ.  Pesquisador e Bolsista de produtividade CNPQ.

Paulo Victor Zaquieu-Higino, Universidade Federal de Juiz de Fora

Doutorando no Programa de Pós Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Membro do Núcleo de Estudos do Catolicismo (NEC/PPCIR/UFJF). Bolsista Capes.

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Publicado
2020-12-04
Como Citar
Camurça, M. A., & Zaquieu-Higino, P. V. (2020). Entre a articulação e a desproporcionalidade. Revista Brasileira De História Das Religiões, 13(39). https://doi.org/10.4025/rbhranpuh.v13i39.56135