Entre a crítica e admiração
A representação dos "paranaenses" nos textos de Thomas P. Bigg-Wither (1872-1876)
DOI:
https://doi.org/10.4025/29a.v6.i10.78777Palabras clave:
Identidade Regional, Imperialismo Britânico, Literatura de Viagem, Paraná, Século XIX, Thomas P. Bigg-WitherResumen
Este artigo analisa as representações dos habitantes do Paraná elaboradas pelo engenheiro inglês Thomas P. Bigg-Wither a partir de sua experiência na província entre 1872 e 1875, publicadas no artigo técnico The Valley of Tibagy, Brazil (1876) e, sobretudo, no relato literário Novo caminho no Brasil meridional: a Província do Paraná – 1872/1875 (2001). Contextualizados no cenário do imperialismo britânico oitocentista e em diálogo com instituições de prestígio científico, esses escritos articularam descrições empíricas, juízos morais e comparações hierárquicas que produziram imagens ambivalentes dos paranaenses do século XIX. Oscilando entre críticas à indisciplina, preguiça e oportunismo e elogios à hospitalidade e rusticidade, o autor construiu um retrato marcado pela ideia do “quase”: quase útil, quase civilizado, quase confiável. Com base em autores como Edward Said, Roger Chartier, Mary Louise Pratt, Tzvetan Todorov e Pierre Bourdieu, argumenta-se que tais representações não foram neutras, mas inscritas em lógicas eurocêntricas de distinção e dominação simbólica. Ao circularem em redes de prestígio, essas imagens ecoaram de forma ambivalente nos discursos de elites imperiais e provinciais, que reelaboraram certos traços para afirmar um Paraná morigerado, laborioso e integrado ao imaginário nacional.
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