Para desver o mundo no antropoceno: alteridades transespécies na geopoética de Manoel de Barros

  • Marlene Rodrigues de Novaes Universidade Estadual de Maringá

Résumé

O artigo aborda a geopoética de Manoel de Barros, este homem incorporado à natureza que ‘achava que os passarinhos são pessoas mais importantes do que aviões’, como prática de educação da atenção à topofilia e às socialidades mais que humanas. O objetivo do artigo é destilar a potência da obra manoelina para fins pedagógicos de desaceleração das agressões antropogênicas à vida na Terra. Em destaque analítico, figuram a ideia-força ‘desver o mundo’ e o modo como o poeta aciona relações simétricas de alteridade transespécie com animais, plantas e pedras. A metodologia adotada para o estudo é a metanálise qualitativa para a imersão tanto na obra de Manoel de Barros quanto em pesquisas científicas críticas aos nossos modos predatórios e violentos de habitar no Antropoceno. Conclui-se que na qualidade de prática de educação da atenção, no sentido de Tim Ingold, a geopoética manoelina instrui a negação do privilégio ontológico humano de reforço à díade opositiva homem/natureza e ensina a formação de aliança e solidariedade entre diferentes seres vivos ao despertar sensibilidades perceptuais para afeição e confluência interespécies.

Téléchargements

Les données sur le téléchargement ne sont pas encore disponible.

Références

Referências

Agro7.(2019, março 5). Rondônia - estado natural da pecuária [Arquivo de vídeo]. Recuperado de https://www.youtube.com/watch?v=ekXk1t_C22E

Albert, B. (1992). A fumaça do metal: história e representações do contato entre os Yanomami. Anuário Antropológico, 14(1), 151-189.

Altman, J. (1982). Hunting buffalo in North-Central Arnhem Land: a case of rapid adaptation among Aborigines. Oceania, 52(4), 274-285.

Anderson, V. D. (2006). Creatures of empire: how domestic animals transformed early America. Oxford, UK: Oxford University Press.

Arenas C., M. A., & Martínez C., J. L. (2007). Del camélido al caballo: alteridad, apropiación y resignificación en el arte rupestre andino colonial. In Actas del VI Congreso Chileno de Antropología – Tomo II (p. 2067-2076). Valdivia, CL. Recuperado de https://www.aacademica.org/vi.congreso.chileno.de.antropologia/194

Arenas C., M. A., & Martínez C., J. L. (2009). Construyendo nuevas imágenes sobre los otros en el arte rupestre andino colonial. Revista Chilena de Antropología Visual, 1(13), 17-36. Recuperado de https://www.rchav.cl/2009_13_art02_arenas_&_martinez.html

Brown, C. (1999). Acculturation in native American languages. Oxford, UK: Oxford University Press.

Cavalcante, O. (2011). O tempo do capitão Bessa: espoliação territorial e violência na memória indígena em Roraima. Tellus, 11(21), 11-24. DOI: https://doi.org/10.20435/tellus.v0i21.240

Diniz, E. S. (1972). Os índios Makuxi do Roraima. Marília, SP: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília.

Dooley, R. (2016). Léxico Guarani, dialeto Mbyá: Guarani-Português. Brasília, DF: SIL.

Erikson, P. (2002). Reflexos de si, ecos de outrem: efeitos do contato sobre a auto-representação Matis. In B. Albert, & A. R. Ramos (Orgs.), Pacificando o branco: cosmologias do contato no Norte-Amazônico (p. 179-204). São Paulo, SP: Editora Unesp/Imprensa Oficial/IRD.

Hart, S. (2012). Decolonizing through heritage work in the Pocumtuck homeland of Northeastern North America. In M. Oland, S. Hart, & L. Frink (Orgs.), Decolonizing Indigenous histories: exploring prehistoric/colonial transitions in Archaeology (p. 86-109). Tucson, AZ: The Universityof Arizona Press.

Leal, D. (2020). Mundos do trabalho e conflitos sociais no rio Madeira (1861-1932). Manaus, AM: Editora Valer/FAPEAM.

Lévi-Strauss, C. (1997). O pensamento selvagem. Campinas, SP: Papirus.

Lima, C. M. (2019). Deus no céu e os índios na terra Morte e vida em uma aldeia Xukuru do Ororubá (Tese de Doutorado). Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.

Lopes de Souza, B. (1955). Índios e explorações geográficas. Rio de Janeiro, RJ: Ministério da Agricultura/Conselho Nacional de Proteção aos Indios.

Martínez C., J. L. (2009). Registros andinos al margen de la escritura: el arte rupestre colonial. Boletíndel Museo Chileno de Arte Precolombino, 14(1), 9-35. DOI: http://dx.doi.org/10.4067/S0718-68942009000100002

May, S., Wright, D., Sanz, I. D., Goldhahn, J., & Maralngurra, G. (2020). The buffaroo: a ‘first-sight’ depiction of introduced buffalo in the rock art of the Westrn Arnhem Land, Australia. Rock Art Research, 37(2), 204-216.

McGrath, A. (1987). ‘Born in the cattle’: Aborigenes in cattle country. Sidney, AU: Allen & Unwin.

McNeill, J., & Engelke, P. (2016). The great acceleration: an environmental history of the Anthropocene Since 1945. Cambridge, UK: The Belknap Press.

Melatti, J. C. (1967). Índios e criadores: a situação dos Krahó na área pastoral do Tocantins. Rio de Janeiro, RJ: I.C.S/UFRJ.

Menezes Bastos, R. J. (2013). A festa da jaguatirica: uma partitura crítico-interpretativa. Florianópolis, SC: Editora da UFSC.

Menget, P. (2001). Em nome dos outros: classificação das relações sociais entre os Txicáo do Alto Xingu. Lisboa, PT: Museu Nacional de Etnologia/Assírio & Alvim.

Moser, L. (1993). Os Karitiana e a colonização recente de Rondônia (Monografia de Bacharelado). Fundação Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho.

Nordenskiöld, E. (1922). Deductions suggested by the geographical distribution of some post-Columbian words used by the Indians of South America (Comparative Ethnographical Studies 5). Göteborg, SE: Elanders Boktryckeri Aktiebolag.

Oland, M., Hart, S., & Frink, L. (2012). Decolonizing Indigenous histories: exploring prehistoric/colonial transitions in Archaeology. Tucson, AZ: The University of Arizona Press.

Pereira, Pe. A. H. (1974). Lendas dos índios Iránxe. Pesquisas - Antropologia, 1(27), 1-84.

Pfeifer, L. F. M., Salman, A. K., Taborda, J. M., Moreira da Silva, G., Andrade, J. S., Araújo, L. V., ... Teixeira, O. S. (2021). Caracterização da pecuária em Rondônia. In A. K. Salman, J. A. Schlindwein, & L. F. M. Pfeifer (Orgs.), Avanços da pecuária na Amazônia: pesquisas em desenvolvimento Regional em Rondônia (p. 10-37). Porto Velho, RO: Coleção Pós-Graduação da UNIR – EDUFRO.

Pinto, E. P. (2003). Território Federal do Guaporé: fator de integração da fronteira ocidental do Brasil. Rio de Janeiro, RJ: Viaman Gráfica e Editora.

Reesink, E. (2010). Allegories of wildness: three Nambikwara ethnohistories of sociocultural and linguistic change and continuity. Amsterdam, NL: Rozenberg Publishers.

Ribeiro, D. (1996). Os índios e a civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno. São Paulo, SP: Companhia das Letras.

Ribeiro, G. (2018). Criadores de gado: experiência dos Macuxi com o gado bovino (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Roraima, Boa Vista.

Roquette-Pinto, E. (1935). Rondônia.São Paulo, SP: Cia. Editora Nacional.

Silva, G. R. (2013). Morfossintaxe da língua Paresi-Haliti (Arawak)(Tese de Doutorado). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Storto, L. (2022). Não havia mais homens.São Paulo, SP: Hedra.

Taçon, P., Ross, J., Paterson, A. & May, S. (2012). Picturing change and changing pictures: contact period rock art of Australia. In J. McDonald, & P. Veth (Eds.), A companion to rock art (p. 420-436). London, UK: Blackwell Publishing.

Teixeira, M. A. (1998). Mortos, dormentes e febris: um estudo sobre o medo, a morbidade e a morte nos vales do Guaporé e Madeira, entre os séculos XVIII e XX. In Prefeitura Municipal de Porto Velho (Org.), Porto Velho conta a sua história (p. 99-155). Porto Velho, RO: SEMCE/PMPV.

Teixeira, C. C. (1999). Visões da natureza: seringueiros e colonos em Rondônia. São Paulo, SP: Educ/Fapesp.

Teixeira, C. C.(2009). Servidão humana na selva: o aviamento e o barracão nos seringais da Amazônia. Manaus, AM: Editora Valer/EDUA.

Vander Velden, F. (2008). O gosto dos outros: o sal e a transformação dos corpos entre os Karitiana no sudoeste da Amazônia. Temáticas, 16(31), 13-49. DOI: https://doi.org/10.20396/tematicas.v16i31/32.12436

Vander Velden, F. (2012). Inquietas companhias: sobre os animais de criação entre os Karitiana. São Paulo, SP: Alameda.

Vilaça, A. (2006). Quem somos nós: os Wari’ encontram os brancos. Rio de Janeiro, RJ: EdUFRJ.

Wilbert, J. (1978). Folk literatureofthe Gê Indians – volume I. Los Angeles, CA: UCLA Latin American Center Publications.

Wilbert, J., & Simoneau, K. (1984). Folk literature of the Gê Indians – volume II. Los Angeles, CA: UCLA Latin American Center Publications.

Wirth, M. (1950). Lendas dos índios Vapidiana. Revista do Museu Paulista, Nova Série, 4(1), 165-216. Recuperado de https://etnolinguistica.wdfiles.com/local--files/biblio%3Awirth-1950-lendas/Wirth_1950_LendasIndiosVapidiana.pdf

Publiée
2024-05-10
Comment citer
Novaes, M. R. de. (2024). Para desver o mundo no antropoceno: alteridades transespécies na geopoética de Manoel de Barros . Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, 46(1), e70437. https://doi.org/10.4025/actascihumansoc.v46i1.70437
Rubrique
Chamada Temática - Relações entre Humanos e Outros Seres Vivos