Linguagem, cognição e referência em A maçã no escuro
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v37i4.25083Palavras-chave:
relação linguagem/mundo, processos referenciais, sociocognição, Clarice Lispector.Resumo
Este artigo aborda a relação entre a problematização da linguagem presente no romance A maçã no escuro, de Clarice Lispector, e a trajetória conceitual da referência. Apoiando-nos nas contribuições teóricas que amparam as transformações envolvidas nessa trajetória até a construção da noção de referenciação, analisamos passagens do romance que consideramos remetentes à tríade ‘cognição, linguagem e referência’. Nossa análise consistiu no exame dessas passagens à luz da discussão filosófica sobre o problema da verdade; do despertar da Linguística para a importância da dimensão discursiva dos atos de referir e da construção da hipótese sociocognitiva como alternativa ao conflito erguido entre o essencialismo e o relativismo radical. Os resultados a que chegamos apontam para a presença de uma tensão constante no percurso trilhado pelo protagonista da obra, uma tensão que incorpora, de certo modo, uma crise paradigmática semelhante à que caracteriza os estudos da linguagem; e evidenciam que o personagem assume, ao final da narrativa, uma concepção segundo a qual com a linguagem damos forma ao mundo, análoga, portanto, à visão sociocognitivista.
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Copyright (c) 2026 Alana Kercia Barros Demétrio, Maria Helenice Araújo Costa

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