Her: pode um sistema operacional ocupar o lugar de sujeito?
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v41i1.44145Palavras-chave:
sujeito, outro, falta, objeto.Resumo
Pretendemos analisar o filme Her, de Spike Jonze seguindo os fundamentos da psicanálise e alguns apontamentos da linguística da enunciação. Trata-se de uma história futurista, cujo protagonista, Theodore, está imerso em um vazio que ele procura preencher com jogos e relações virtuais, numa tentativa vã de não se haver com a castração, que é estrutural. O título, um pronome oblíquo (her), já indicia a impossibilidade, visto que her não pode ser sujeito nem entrar na troca característica da intersubjetividade. Funda-se, assim, um impossível de ser sujeito que Samantha tenta contornar colocando-se como sujeito universal absoluto. Samantha é uma voz sem corpo. Mas seria da ordem do possível um sujeito sem corpo biológico, como é o caso de Samantha? Consideramos que o corpo, além de seus aspectos simbólico e imaginário, é constituído por matéria, ou seja, sua biologia é determinante. O sistema é um objeto programado para responder à demanda de seu usuário, e falha, porque para o desejo não há objeto, e quando algo é colocado no lugar, a angústia emerge. Quando a voz de Samantha deixa de ressoar no ouvido de Theodore, este se dá conta de que não há Outro do Outro que possa garantir a completude e é nessa falta que o sujeito surge. A estrutura do Outro constitui um vazio - o vazio da falta - que possibilita a Theodore autorizar-se a legitimar a própria voz.
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