A violência constitutiva: relações entre pulsão de morte e expressões de luta no sujeito do discurso
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v41i2.46409Palavras-chave:
ódio; violência; luta de classes; psicanálise; análise de discurso.Resumo
A filiação teórica deste texto articula a Linguística, o Materialismo Histórico e a Psicanálise, seguindo a linha de estudos iniciada por Michel Pêcheux na França e sustentada pela Análise de Discurso de inspiração pecheutiana no Brasil. Propõe-se, assim, a investigação da imposição do real por meio do conflito, com destaques à luta de classes. A hipótese sustentada é a de que existe no real do sujeito uma ordem violenta que lhe é constitutiva, e que se organiza pela expressão dual, que pode ser tomada como a disparidade entre universal e particular. A imposição desse real perpassa, efetivamente, pela ação ideológica, ao compreender o sujeito odioso como fruto da ação do multiculturalismo do Estado hegemônico, e se materializa via discurso, lugar por onde passa a significar. Nesse entorno, o atravessamento da Psicanálise diz respeito à tradução de uma das paixões fundantes do ser para Freud, o ódio, no aspecto que lhe permite a agressividade enquanto afeto. Some-se a isso o fato do ódio prestar-se à pulsão de morte, ao desejo de manutenção de um estado determinado, à regressão, enfim, ao conservadorismo, em termos políticos. Durante a exposição, a análise da ação do sujeito odioso foi observada a partir do discurso que possibilitou a agressão violenta cometida contra o corpo social da posição-sujeito que enuncia ‘ele não’, situação em que se pode verificar o entrelaçamento dos campos ideológico, subjetivo (de natureza psicanalítica) e linguístico, frente ao discursivo que lhes possibilita a articulação e significação.
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