Uso dos róticos do português em contato com os dialetos italianos
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v41i2.48857Palavras-chave:
dialetologia; línguas em contato; dialetos italianos; variável /r/; róticos.Resumo
O objetivo deste trabalho é investigar a realização dos róticos nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Nosso interesse está na realização da variável /R/ no contato entre o português e os dialetos italianos trazidos pelos imigrantes no século XIX. Na língua portuguesa (PB), tanto a vibrante simples quanto a múltipla são fonemas possíveis de realização, podendo ocorrer em ataque silábico, no início das palavras e em posição intervocálica, ou em coda de sílaba. Já no PB em contato com os falares dialetais italianos, a realização da vibrante múltipla, ou vibrante alveolar [r], conhecida como r-forte, pode alternar com a realização do tepe [ɾ] ou r-fraco. Uma das caraterísticas do português falado por bilíngues português-italiano no Sul do Brasil é o uso da vibrante simples (r-fraco) em lugar da múltipla, resultado das transferências dos falares italianos para o português. A hipótese aqui testada é que, nessas comunidades de fala, a vibrante alveolar [r] e o tepe [ɾ] são as variantes mais produtivas na fala dos indivíduos em situação de contato português com dialetos italianos. A metodologia empregada se deu a partir do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) e foram consideradas treze respostas (palavras) obtidas por meio do Questionário Fonético-Fonológico. O corpus é constituído de 108 respostas dos participantes para cada palavra e a realização da variável foi observada em dois contextos: posição intervocálica e início de palavra, como, por exemplo, ‘terreno’ e ‘rosa’.
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