A mulher e o imaginário medieval da maleficência feminina
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v45i2.65504Palavras-chave:
mulher difamada; influência cultural; imaginário do mal; Idade Média.Resumo
O presente estudo apoia-se na constatação de que existe um sólido imaginário sobre a maleficência feminina lastreando toda a cultura medieval do Ocidente, cujas raízes encontram-se fincadas na Antiguidade Clássica e na tradição judaico-cristã. Com base nessa verificação, o estudo investiga certas formações e figuras do imaginário cultural medieval referente à questão do atributo de maleficências à s mulheres e de sua natureza malsã e perversa quer na sua criação bíblica, quer na sua geração proposta pela Ciência Antiga. Não intencionando investigar especificamente os aspectos políticos e ideológicos dessa construção denegridora das mulheres, é objetivo deste estudo apresentar um repositório descritivo de aspectos fundamentais da naturalização negativa da figura feminina cultivada no imaginário da Idade Média, constituindo-se, finalmente, em um interessante estudo de cultura das ideias acerca das configurações desse atributo misógino em uma das suas mais ferrenhas expressões históricas – o período medieval. Partindo de pronunciamentos resgatados à tradição das auctoritas, o estudo faz uma anatomia crítica do feminino baseada na comparação de imagens e sugestões consoantes a uma retórica androcêntrica do imaginário do mal conformador de sua figura e realidade. Finalmente alcança o resultado esperado na perspectiva crítica que verifica que o modo e o ser do feminino têm sido uma constante construção cultural comprometida nos seus valores propostos, para os quais muito contribuíram o horizonte das ideias e o imaginário medievais. Dessa forma, e a suportarem o pejo da difamação, criaturas esdrúxulas como sereias, basiliscos, mulheres-serpentes, e mesmo demonizadas, como as bruxas, são as figuras, entre pitorescas e ideológicas desse imaginário do mal acerca do feminino na Idade Média.
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