A poesia sociopolítica de Gil Vicente e Patativa do Assaré
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v46i2.69945Palavras-chave:
poesia sociopolítica; crítica social; literatura comparada; poesia matuta; poesia humanística.Resumo
O propósito deste artigo é apresentar uma leitura da poesia de Patativa do Assaré e Gil Vicente, partindo de um estudo do caráter sociopolítico, tendo como base a obra de Antonio Candido, intitulada Literatura e sociedade. Sendo autores de tempos e locais diferentes, os poetas observaram e vivenciaram dramáticas realidades que os impulsionaram a expor, em forma de poemas ou de texto teatral, suas mais profundas impressões e sentimentos, sempre usando a poesia. Foram porta-vozes das pessoas com as quais conviviam: um, no castigado sertão nordestino brasileiro; outro, na corte portuguesa do século XVI. Ambos apresentam uma poética marcada por eixos antagônicos, com ênfase no olhar para o ser humano. Candido, por sua vez, busca focar seus estudos em vários níveis da interseção entre literatura e sociedade, mostrando de um lado, os aspectos sociais dos textos literários e, de outro, a ocorrência destes aspectos sociais nas obras estudadas. Com base em tal premissa, propõe-se uma análise de alguns textos do cearense e do português, enfatizando o caráter de militância, em suas respectivas escritas, contra sistemas de opressão e silenciamento ou expondo as mazelas da sociedade onde viviam, constituindo a emergência de vozes dissonantes. A presente análise apoia-se em pesquisa bibliográfica, além de referencial teórico sobre as questões sociopolíticas, bem como material que componha a contextualização histórica.
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