As Representações femininas em cartazes da Guerra Civil Espanhola: usos didáticos e possibilidades de análise no ensino da História.

Usos didáticos e possibilidades de análise no ensino de História

Palavras-chave: Guerra Civil Espanhola, Arte em Cartazes, Representações Femininas, Ensino de História, Perspectiva de Gênero

Resumo

Este artigo analisa as representações femininas em cartazes da Guerra Civil Espanhola tanto como fonte histórica, quanto como recurso didático na formação de docentes. A partir da exposição Cartazes que contam: A mulher na Guerra da Espanha, exploram-se diversas figuras femininas da propaganda visual republicana e franquista. O estudo, de caráter qualitativo, foca na análise realizada por estudantes do Mestrado em Formação de Professores, que interpretaram esses cartazes com base em critérios críticos, estéticos e pedagógicos. Os resultados evidenciam o potencial desses materiais para promover o pensamento histórico e revelam resistências e percepções superficiais acerca do enfoque de gênero no ensino.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Arasy González-Milea, Universidad de Zaragoza

Professora Adjunta Doutora na Universidade de Zaragoza (Faculdade de Ciências Humanas e da Educação, Campus de Huesca). Licenciada em Educação Infantil pela Universidade de Málaga e Técnica Superior em Educação Infantil. Concluí o Mestrado em Políticas e Práticas de Inovação Educativa, no qual obtive o Prêmio Extraordinário de Final de Curso concedido pela Universidade de Málaga, e o Mestrado em Investigação em Educação (MURE), na especialidade de Didática das Ciências Sociais pela Universidade Autónoma de Barcelona.

Sou Doutora em Educação e Comunicação Social pela Universidade de Málaga, com a tese intitulada “Ensinar a ler fora do molde: Literacia Crítica em Didática das Ciências Sociais para a Educação Infantil”, orientada pela Dra. Carmen Rosa García Ruíz e pelo Dr. Antoni Santisteban Fernández, avaliada com Sobresaliente Cum Laude.

Realizei estadas de investigação pré-doutoral na University of British Columbia (Canadá), no Instituto Politécnico de Viana do Castelo (Portugal) e na Universidade Autónoma de Barcelona (Espanha), assim como estadas de pós-doutorado nesta última e na Universidade de Granada (Espanha).

Sou membro da Associação Universitária de Professores de Didática das Ciências Sociais (AUPDCS) e do Instituto de Investigação em Formação de Profissionais da Educação da Universidade de Málaga (IFE).

Desde 2018, faço parte do Grupo de Investigação Educação Social e Cidadania (HUM 856), e desde 2024, do Grupo de Investigação S50_23R: ARGOS, Investigação em Didática das Ciências Sociais.

Participei do projeto de P&D “Educação para o futuro e esperança na democracia. Repensar o ensino das ciências sociais em tempos de mudança” (EpF+ED) com referência PID2019-107383RB-I00, bem como do projeto de P&D+I “Narrativas emergentes sobre a escola inclusiva a partir do modelo social da deficiência: Resistência, resiliência e mudança social” (RTI2018-099218-A-I00), coordenado por Ignacio Calderón Almendros e María Teresa Rascón Gómez.

José Antonio Mérida-Donoso, Universidade de Saragoça

Doutor em Filologia Hispânica pela Universidade de Zaragoza, na área de Teoria da Literatura e Literatura Comparada. Atualmente atuo como Professor Assistente Doutor no Departamento de Didáticas Específicas da Faculdade de Educação de Zaragoza, onde fui Professor Associado desde 2017, conciliando meu trabalho com o de docente do Corpo de Professores do Ensino Secundário de Aragão durante os anos de 2009-2021. Estou acreditado para a figura de PPL.
Fui membro de diferentes grupos de pesquisa do Governo de Aragão (Riff-Raff, Pensamento, Cultura e Estética, H45; GENUS 30 20D) liderados pelo Dr. Luis Beltrán Almería, e participei de vários projetos nacionais (GENUS FFI2013-40833-P, GENUS NOVEL FFI2017-82662-P), também liderados pelo mesmo Investigador Principal. Nesses projetos, desenvolvi minha vertente teórica, focada no estudo dos gêneros literários (romance, conto, poesia), bem como de diferentes esferas estéticas (a risada, o idílio, o didatismo) e autores espanhóis contemporâneos (Manuel Longares, Luis Landero, Juan Eduardo Zúñiga), refletida em participações em congressos, artigos de revista (Ínsula, Revista de Libros, Didáctica Lengua y Literatura, Mundo Eslavo) e capítulos de livros (ArcoLibros, L’Harmattan, Renacimiento, Visor, Peter Lang).
Atualmente sou membro do grupo ECOLIJ, dirigido pela Dra. Rosa Tabernero, e colaboro como membro da equipe do projeto de pesquisa LENFICEC PID2021-126392OB-I00, do qual essa professora é Investigadora Principal. Meu foco de estudo é a esfera da imaginação literária infantil e juvenil, sob uma perspectiva estética, e colaboro na formação e análise de comunidades leitoras, próprias desse grupo.
Na área de transferência e divulgação, ministrei palestras sobre história e estética do cinema para alunos do Dartmouth College, programei vários ciclos de cinema (Cinema e Hispanismo) para a Fundação Duques de Soria em colaboração com o Círculo de Bellas Artes de Madrid, e participo regularmente da seção de literatura infantil do portal Zenda Libros, bem como do suplemento cultural Artes&Letras do jornal Heraldo de Aragón.

IRENE ABAD BUIL, Universidade de Saragoça

 

Licenciada em Humanidades e Doutora em História (2007). Atualmente Professora Adjunta Doutora no Departamento de Didáticas Específicas da Faculdade de Educação da Universidade de Saragoça, onde também é professora associada desde 2018, conciliando com o ensino na educação secundária (2012-2025).

Durante a realização da tese de doutorado, foi autora de vários títulos: A tempestade que passa e se recolhe. Os anos dos maquis nos Pirineus Aragoneses – Sobrarbe (Prames, 2001); Em luta constante. Biografia política de Ángeles Blanco (1917-2000) (IEA, 2003); Leandro Saún e Carmen Casas: organização política clandestina em Saragoça nos anos 40 (Governo de Aragão, 2008).

Estadia pós-doutoral na Universidade de Utah (EUA), dedicando sua pesquisa à Federação Democrática Internacional de Mulheres e ao impacto da repressão sexuada além das fronteiras espanholas. Dessa pesquisa, resultou o artigo: “As dimensões da repressão sexuada durante a ditadura franquista” (Revista de História Jerónimo Zurita, nº 84, 2009).

Autora do documentário Fomos mulheres de preso, junto com a realizadora Eva Abad, e autora do livro Às portas da prisão: Repressão, solidariedade e mobilização nos extramuros das prisões franquistas (Icaria, 2012).

Coordenadora do monográfico Um presente construído. A história de Monzón no século XX (IEA, 2008).

Autora de numerosos artigos e capítulos de livros dedicados à categoria “mulher de preso” e à “repressão sexuada”. É membro do grupo de pesquisa Argos (IUCA) e diretora da área de História do Instituto de Estudos Altoaragoneses (IEA-Huesca)

Referências

ANADÓN BENEDICTO, Juana. Los carteles como fuente primaria para el estudio de la República en la Guerra Civil. Iber: Didáctica de las Ciencias Sociales, Geografía e Historia, n. 19, p.39-48, 1999.

BALLARÍN DOMINGO, Pilar.; IGLESIAS GALDO, Ana. Feminismo y educación. Recorrido de un camino común. Historia de la Educación, Salamanca, n. 37, p. 37–67, 2018. https://doi.org/10.14201/hedu2018373767

BRUNER, Jerome. La educación, puerta de la cultura. Madrid: Antonio Machado Libros, 2015. Vol. 3.

BURKE, Peter. Visto y no visto: El uso de la imagen como documento histórico. Barcelona: Crítica, 2005.

CACHEIRO GONZÁLEZ, María Luz. Didáctica de la historia y recursos visuales: experiencias en el aula. Madrid: Ediciones Morata, 2018.

CALAF, R.; NAVARRO, A.; SAMANIEGO, J. A. Ver y comprender el arte del siglo XX. Madrid: Síntesis, 2000.

CAMUÑAS GARCÍA, Daniel. El trabajo con las fuentes históricas y su utilización didáctica. UNES. Universidad, Escuela y Sociedad, n.8, p.8-18, 2020.

CAPPELLO, Marva. Considering visual text complexity: A guide for teachers. The Reading Teacher, Newark, v.70, n.6, p.733-739, 2017. https://doi.org/10.1002/trtr.1580

CARDONA, F. X. H.; TORRUELLA, M. F. Didáctica de la historia de la Guerra Civil Española. Ebre 38, n.9, p.197-217, 2019.

CARRETERO, Mario. Históricamente. Claves para pensar (y contar) otras versiones del pasado. Buenos Aires: Siglo XXI Editora Iberoamericana, 2024.

CARRETERO, Mario; VAN ALPHEN, Floor. Do master narratives change among high school students? A characterization of how national history is represented. Cognition and Instruction, v.32, n.3, p.90-312, 2014.

CASANOVA CASTILLO, P. Experiencias didácticas: los carteles de la Guerra Civil como recurso educativo durante la enseñanza de bachillerato. Ebre 38, n.12, p.183-200, 2022. https://doi.org/10.1344/ebre38.2022.12.41239

CHAPMAN, Arthur. Understanding Historical Interpretation. Teaching History, n.141, p.6-12, 2011.

ESCARDA, M. G. La mujer en la propaganda política republicana de la Guerra Civil Española. Barataria. Revista Castellano-Manchega de Ciencias Sociales, n.9, p.83-101, 2008. http://dx.doi.org/10.20932/barataria.v0i9.181

FABO DEL CASO, María. Arquetipos femeninos en los carteles de la Guerra Civil española y la posguerra (1936–1945). Zaragoza: Universidad de Zaragoza, Facultad de Filosofía y Letras, 2016.

FERNÁNDEZ GARCÍA, Noelia. La representación de la mujer en los carteles de la Guerra Civil española. Valladolid: Universidad de Valladolid, Grado en Publicidad y Relaciones Públicas, 2014.

FOUCAULT, Michel. Vigilar y castigar: nacimiento de la prisión. Buenos Aires: Siglo XXI, 2002. (Edición original en 1975).

FORMENT, A. Josep Renau: vida i obra. En: BALLESTER, J.; BODÍ, F.; BRIHUEGA, J. (eds.). Josep Renau, 1907–1982: compromiso y cultura. Valencia: Universidad de Valencia, 2008. p. 38-69.

GARCÍA GARCÍA, María. La representación de la mujer en los carteles propagandísticos de la guerra civil española. Valladolid: Universidad de Valladolid, Grado en Publicidad y Relaciones Públicas, 2018.

GONZÁLEZ-DÍEZ, Laura; GÓMEZ HERNÁNDEZ, Pablo; PÉREZ CUADRADO, Pedro. El diseño de carteles durante la Guerra Civil Española: el caso de José Bardasano en el bando republicano. Aportes, Madrid, n.103, p. 99-142, 2020.

GRIMAU, C. El cartel republicano en la Guerra Civil. Madrid: Cátedra, 1979.

GUILAR, M. Las ideas de Bruner: "de la revolución cognitiva" a la "revolución cultural". Educere, v.13, n.44, p.235-241, 2009.

HERNÁNDEZ CARDONA, F. X. (2002). Didáctica de las ciencias sociales, geografía e historia. Barcelona: Editorial Graó.

JULIÁN, I. El cartel republicano en la Guerra Civil Española. Madrid: Ministerio de Cultura, 1993.

JULIÁN GONZÁLEZ, Inmaculada. “La representación gráfica de las mujeres (1936-1938)”. En: MINISTERIO DE TRABAJO E INMIGRACIÓN, INSTITUTO DE LA MUJER (ed.). Las mujeres y la guerra civil española. Madrid: Ministerio de Trabajo e Inmigración, Instituto de la Mujer, 1991, pp. 353–358.

LÓPEZ LÓPEZ, C. M. Javier Marías y las voces de los libros: los carteles bélicos como dispositivo icónico. Itinerarios, n.33, p.95–112, 2021.

MINGO, A. Y BELAUSTEGUIGOITIA, M. Voces y ecos. Un retorno al feminismo en la educación. En: CASANOVA. H.; LOZANO, L. (eds.) Educación, universidad y sociedad: El vínculo crítico. Barcelona: Publicacions i edicions-Universitat de Barcelona, 2004, pp. 73-103.

MOLINA PUCHE, S., GÓMEZ, C., Y ORTUÑO, J. History Education Under the New Educational Reform in Spain: New Wine in Old Bottles. History Education Research Journal, v.12, n2, p.122-132, 2014.

MOLINA PUCHE, Sebastián; ORTUÑO MOLINA, Jorge; ÁNCHEZ AGUSTÍ, María. Nuevas leyes, mismos problemas: la enseñanza de la historia en España a partir de los recuerdos de los futuros profesores de Educación Secundaria. El futuro del pasado, vol. 12, 2021, p. 61-89.

MORENO SECO, Mónica. La Sección Femenina y la construcción de la nueva mujer en el franquismo. Madrid: Síntesis, 2015.

MUSEO NACIONAL CENTRO DE ARTE REINA SOFÍA. La imagen de la mujer republicana. En: Mujeres en la Guerra Civil Española. Proyecto digital. Madrid: Museo Reina Sofía, 2024. Disponible en: www.museoreinasofia.es/coleccion/proyectos-investigacion/mujeres-guerra-civil-espanola/mujer-carteles-republicanos

NASH, Mary. Rojas: las mujeres republicanas en la Guerra Civil española. Madrid: Taurus, 1999.

OCHOA GÓMEZ, Adriana Zulima. La formación del pensamiento histórico a través de la interpretación de imágenes de El Cartel de Medellín (1976-1993). Didacticae. Revista de Investigación en Didácticas Específicas, n.16, p.1-17, 2024.

PECK, Carla; SEIXAS, Peter. Benchmarks of historical thinking: First steps. Canadian journal of education, v.31, n.4, p.1015-1038, 2008.

PÉREZ SEGURA, Javier. Imágenes en guerra. Las muchas vidas del cartel político republicano español de 1936 a 1939. Artigrama, n.30, p.79-97, 2015. https://doi.org/10.26754/ojs_artigrama/artigrama.2015308096

PRATS CUEVAS, Joaquim. Didactics of social sciences. In: VIDAL, J. (Dir.), Enciclopedia general de la educación, III. Barcelona: Océano, 1999, p.1121-1138.

___. Enseñar Historia: notas para una didáctica renovadora. Badajoz: Junta de Extremadura, 2001.

___. Pensar históricamente: cómo enseñar y aprender historia. Barcelona: Graó, 2011.

RENAU, J. Función social del cartel publicitario. Valencia: Tipografía Moderna, 1937.

RODRÍGUEZ, Esther. Mujeres en la Guerra Civil: imágenes y testimonios. Barcelona: Crítica, 2012.

SANTISTEBAN FERNÁNDEZ, Antoni. La formación de competencias de pensamiento histórico. Clío & Asociados, n.14, p.34–56, 2010.

SANTOS-RIVERO, Virginia. De libertad a lamento; transgresión simbólica y representaciones de mujeres en los carteles de la Guerra Civil Española. Hispanic Journal, v.31, n.1, pp. 73-92, 2010.

SEIXAS, Peter; MORTON, Tom. The Big Six Historical Thinking Concepts. Toronto: Nelson Education, 2013.

SEIXAS, Peter; PECK, Carla. Teaching historical thinking. En A. Sears y I. Wright (Eds.) Challenges and prospects for Canadian social studies, 2014, 109-117.

ŠTĚPÁNEK, Kamil. Political and Social Reflections of the Soviet Bloc in Didacticised Media and History Teaching. Czech-Polish Historical and Pedagogical Journal, v.8, n.1, p. 55-64, 2016.

TOMÁS, F. Guerra Civil española y carteles de propaganda: El arte y las masas. Olivar: Revista de Literatura y Cultura Españolas, v.7, p.63-85, 2006.

WINEBURG, Samuel. Historical Thinking and Other Unnatural Acts: Charting the Future of Teaching the Past. Phi delta kappan, v.92, n.4, p.81-94, 2010.

___. Historical problem solving: A study of the cognitive processes used in the evaluation of documentary and pictorial evidence. Journal of Educational Psychology, v.83, n.1, p.73-87, 1991.

Publicado
2026-04-15
Como Citar
González-Milea, A., Mérida-Donoso, J. A., & ABAD BUIL, I. (2026). As Representações femininas em cartazes da Guerra Civil Espanhola: usos didáticos e possibilidades de análise no ensino da História. Dialogos, 30(1), 232-253. https://doi.org/10.4025/dialogos.v30i1.78152