Entre abertura e controle: o processo de censura de O Império dos Sentidos durante a Ditadura Civil-Militar
Resumo
Este texto analisa a censura de O Império dos Sentidos (Nagisa Oshima), baseando-se na análise de discurso de Michel Foucault (1998; 2017), priorizando as relações entre sexualidade e poder. Lançado em 1976, mas liberado no Brasil em 1980, após longo processo de censura, o filme é considerado pela crítica um marco cinematográfico por mostrar cenas de sexo explícito em uma trama que não visava a excitação sexual. Assim, esse processo engendrou discursos sobre sexualidade e estética, utilizados a fim liberar ou não sua circulação. As conclusões versam sobre a incidência dos discursos e relações de poder na liberação do filme.
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