Os defensores dos acusados: argumentos de advogados nos crimes sexuais (Irati-PR, 1931-1950)

Abstract

Nesse texto, objetivamos apresentar uma apreciação qualitativa dos argumentos utilizados pelos defensores nos casos que envolveram os delitos sexuais, entre 1931 e 1950, na Comarca de Irati-PR. Especificamente nos documentos de defloramento, sedução e estupro, que enunciados estariam presentes nas alegações dos advogados? De antemão, pode-se afirmar que muitas das estratégias dos “homens da lei” se pautavam na crítica dos comportamentos sociais das partes envolvidas, especialmente das mulheres que eram consideradas “desonestas”. A propósito do processamento judicial nesses casos, ainda, houve investimentos narrativos em torno de noções como civilização, progresso, ciência, direito etc. Para tal proposta, utilizaremos categorias foucaultianas e considerações desenvolvidas por parte da historiografia do crime e da violência que também se debruçou sobre os crimes sexuais.

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Autor/innen-Biografien

Marcelo Douglas Nascimento Ribas Filho, Universidade Federal do Paraná

Doutorando em História no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em História da Universidade Federal do Paraná. Mestre em História pela Universidade Estadual do Centro-Oeste, campus de Irati-PR. Graduado em História pela mesma universidade. Membro do Núcleo de Estudos em História da Violência - NUHVI.

Hélio Sochodolak, Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)

Hélio Sochodolak (sochodo@gmail.com) é doutor em História Social pela Universidade Estadual Paulista (UNESP, Assis-SP), mestre em História Social pelas Universidades Estaduais de Londrina e Maringá (UEL/UEM), formou-se em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e é membro do Núcleo de Pesquisas em História da Violência (NUHVI/CNPq).

Literaturhinweise

Fontes

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Veröffentlicht
2022-12-01
Zitationsvorschlag
Ribas Filho, M. D. N., & Sochodolak, H. (2022). Os defensores dos acusados: argumentos de advogados nos crimes sexuais (Irati-PR, 1931-1950). Dialogos, 26(2), 1-22. https://doi.org/10.4025/dialogos.v26i2.57732