Panorama da asseguração limitada do relato integrado no mercado acionário brasileiro
Resumo
Objetivo: A partir de 2021, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tornou obrigatória a asseguração do Relato Integrado (RI) de empresas listadas na Bolsa de Valores (B3), por auditor independente registrado na instituição. Assim, o objetivo deste estudo é caracterizar o panorama da asseguração limitada do RI no mercado acionário brasileiro.
Método: A pesquisa é de natureza descritiva com abordagem quali-quantitativa do tipo documental, por meio das técnicas de análise de conteúdo e teste t de Student. Os dados da pesquisa foram disponibilizados pela Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato Integrado, relativos ao ano de 2021.
Originalidade/Relevância: O RI difere dos demais relatórios de sustentabilidade devido à sua característica híbrida, que permite a divulgação e a conectividade de diversos tipos de informação. No contexto do mercado acionário brasileiro, a asseguração obrigatória do RI é recente e não foram identificadas pesquisas sobre o tema após a implementação da obrigatoriedade emanada pela CVM.
Resultados: O principal padrão de evidenciação de informações socioambientais é o Global Reporting Initiative (GRI). De 62 companhias que publicaram o RI em 2021, 12 (19,35%) não apresentaram Relatório de Asseguração. De 50 companhias asseguradas, 35 (70,00%) contrataram firmas de auditoria, enquanto 15 (30,00%) contrataram organizações de certificação. Verificou-se que a média de padrões de evidenciação assegurados nos Setores Ambientalmente Sensíveis (SAS) é maior e estatisticamente significativa em relação às demais empresas da amostra. Na conclusão dos auditores independentes, 49 (98,00%) assegurações realizadas tiveram a menção “de acordo” e apenas uma ressalva foi apresentada.
Contribuições: O estudo contribui para a compreensão do cenário da asseguração do RI no Brasil após a sua obrigatoriedade. Os resultados incrementam a literatura ao demonstrar que os SAS, em média, asseguram mais de um padrão de divulgação de informações socioambientais. Ademais, alertam os stakeholders para a possibilidade de gerenciamento de imagem e para os órgãos normatizadores e reguladores quanto ao cumprimento parcial das normas CTO 07 e CVM 14, respectivamente.
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