EXPERIÊNCIAS DE PRECONCEITO VIVENCIADAS POR UNIVERSITÁRIO NEGRO AUTODECLARADO GAY
Resumo
Este estudo analisa práticas de racismo e de preconceito contra a diversidade sexual, vivenciadas por um universitário autodeclarado negro e gay. Trata-se de um estudo qualitativo, orientado por pressupostos epistemológicos feministas, que utilizou o conceito de interseccionalidade como ferramenta para capturar as opressões vivenciadas em torno de dois eixos de subordinação: raça e sexualidade. Utilizou-se como técnica a entrevista narrativa, caracterizada como uma estratégia metodológica de pesquisa não estruturada e em profundidade, sendo os dados discutidos com base na Análise Crítica do Discurso, que se pauta nas estruturas do discurso e nas relações de poder como fundamentalmente produtores de sujeitos. Constatou-se a presença de segregação espacial, produção e manutenção de imagens negativas associadas à população negra, e hierarquização e inferiorização racial e sexual no estabelecimento das relações afetivas. Propomos, como ferramenta ético-política, a desestabilização das múltiplas opressões produzidas pelos paradigmas da modernidade universal — masculina, branca e heterossexual — como possibilidade de luta por patamares mais elevados de justiça social e igualdade de direitos.
Palavras-chave: Racismo sistêmico; sexismo; enquadramento interseccional.
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