ESTRUTURA DOS ESTADOS FENOMENAIS DURANTE ATIVIDADE DE ROTAÇÃO MENTAL EM CEGOS
Resumo
O estudo objetivou mapear a estrutura dos estados fenomenais emergentes durante atividade de rotação mental tendo-se o tato como fonte sensorial, em pessoas com deficiência visual. Foi composta uma amostra dividida em grupos de cegos congênitos (7 participantes), e indivíduos com cegueira adquirida (10 participantes), os quais foram submetidos à atividade de rotação mental como tarefa de autofocalização, em que foram apresentados estímulos geométricos para tateio e construção de imagem mental dos mesmos. Em seguida aplicou-se a ‘Entrevista Fenomenológico-Cognitiva dos Estados Autoconscientes’ (EFEA). Os resultados do estudo confirmaram que pessoas com deficiência visual, ao utilizar o tato como fonte sensorial, podem, através dessa estimulação, criar e vivenciar estados fenomenais complexos, que mediam o acesso à experiência interna em curso. Os resultados encontrados no estudo contribuem significativamente para o início da sistematização do conhecimento referente a esta importante questão que ainda configura uma lacuna na teoria cognitiva atual, principalmente em pessoas com deficiência visual. Os achados põem a necessidade de se pensar novos procedimentos metodológicos que acessem com fidedignidade os estados fenomenais vivenciados por deficientes visuais, alargando a compreensão atual da pesquisa cognitiva sobre a mente fenomenal, em pessoas com deficiência visual.
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