Um outro amor: uma leitura de Amor de Clarice, de Rui Torres

Rejane Cristina Rocha

Resumo


A leitura de Amor de Clarice, de Rui Torres, impõe pelo menos dois constrangimentos à análise crítica. Um deles relaciona-se com o fato de que a peça submete a leitura, desde o título, à estética clariceana, quando elege como ponto de partida da criação o conto de Clarice Lispector, publicado em Laços de família, em 1960. O outro, diz respeito às dificuldades que a criação digital impõe à leitura literária, no que diz respeito a sua formalização material, e que exige mecanismos de análise atentos à configuração hipertextual, bem como à convivência da linguagem verbal com outras linguagens. Este ensaio parte do pressuposto de que ambos os constrangimentos podem ser elaborados criticamente e usados como ferramentas de análise: os significados consolidados do conto de Clarice Lispector podem ser lidos como elementos que ‘desprogramam’ (Machado, 2007) a técnica digital, empregada na formalização material de Amor de Clarice, ao mesmo tempo em que essa formalização material poderia ser identificada como o que possibilita deslocar e ampliar os significados do conto clariceano. A análise do objeto em questão está amparada pelas reflexões de Marku Eskelinen (2012) sobre a intertextualidade no contexto da cibertextualidade e nas de George Landow (1994; 2009), sobre o hipertexto.


Palavras-chave


literatura digital; intertextualidade; hipermídia; desprogramação da técnica.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/actascilangcult.v41i1.42964



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ISSN 1983-4675 (impresso) e 1983-4683 (on-line) e-mail: actalan@uem.br

  

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