Retroflexo: O que pensam usuários e não-usuários dessa variante rótica?
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v47i1.72652Palavras-chave:
sociolinguística; crenças e atitudes; /R/ retroflexo.Resumo
Dos muitos ‘erres’ falados no Brasil, destaca-se o retroflexo, típico dos sotaques das regiões do interior de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, entre outros. Estudos como os de Castro (2006, 2012), Brandão (2007), Aguilera e Silva (2011), Silva (2012, 2016), Silva e Aguilera (2014) e Aguilera (1994, 2012) demonstram a distribuição areal dessa variante, que se expande por diversas regiões brasileiras, e discutem a aceitabilidade ou não-aceitabilidade de sua realização pelos próprios usuários ou por falantes de outras variantes. Conhecida popularmente como ‘R caipira’, foi qualificada por muito tempo de forma negativa e tratada como inferior à s demais. À vista disso, buscamos apresentar uma análise das crenças e atitudes de falantes usuários e não-usuários do rótico retroflexo a partir de um teste de modelo Verbal Guise (Huygens & Vaughan, 1983; Garret, 2010) aplicado a 20 maranhenses, não falantes do R retroflexo, e 20 paranaenses usuários do R caipira. Anexado ao questionário, on-line, havia dois áudios, um de falar maranhense e outro paranaense, os quais foram utilizados como base para os entrevistados responderem à s doze perguntas com escalas de diferenciais semânticos (Gómez Molina, 1998 apud Sancho Pascual, 2013), organizadas com base na Competência pessoal, Integridade pessoal e Relação social (Lambert & Lambert, 1972). Os dados foram analisados com auxílio do programa computacional IBM SPSS Statistics 22, que forneceu as médias referentes aos dados: gerais, de localidade e de categorias. Os resultados obtidos mostraram que os entrevistados apresentam atitudes positivas em relação aos seus próprios falares. Entretanto, os paranaenses se mostraram mais críticos, o que, de certa forma, evidencia mais crenças negativas do que os maranhenses, principalmente em relação ao falar do outro.
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