‘How queer everything is to-day!’: O corpo indomável de Alice nas obras de Lewis Carroll

Palavras-chave: Literatura inglesa, Lewis Carroll, Alice, Era Vitoriana, Queer.

Resumo

Este artigo apresenta a célebre personagem Alice, dos romances de Lewis Carroll, enquanto um corpo indomável perante os padrões da Era Vitoriana. Nas obras Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do espelho e o que Alice encontrou por lá, a protagonista questiona a lógica e as regras vigentes nos espaços que frequenta, tomando uma posição inusitada para uma criança no século XIX. Propomos, então, uma análise queer sobre a personagem, uma vez que o termo também serve para designar os corpos que rompem com o socialmente estabelecido, conforme aponta Morais (2020). Para esse artigo, selecionamos trechos dos episódios em que Alice interage com as seguintes personagens: o Gato de Cheshire; a Lebre de Março e o Chapeleiro Maluco; a Rainha de Copas; a Rainha Vermelha; os gêmeos Tweedledum e Tweedledee; e Humpty Dumpty. O aporte teórico-crítico encontra-se em Butler (2003, 2019), Foucault (1987), Louro (2018), Six (2013) e Weeks (2018) a fim de discutir os processos de disciplinamentos sobre os quais as pessoas são submetidas desde a tenra idade, visando o controle das populações de acordo com os interesses do poder hegemônico. Assim, constatamos o posicionamento contra-hegemônico de Alice ao desafiar as convenções e entrever o paradoxo e a arbitrariedade nas normas do regime monarca, que possui desdobramentos até os dias atuais.

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Referências

Butler, J. (2003). Problemas de gênero: Feminismo e subversão da identidade (R. Aguiar, Trad.). Civilização Brasileira.

Butler, J. (2019). Corpos que importam: Os limites discursivos do ‘sexo’. Crocodilo.

Carroll, L. (1994a). Alice’s Adventures in Wonderland. Penguin Books.

Carroll, L. (1994b). Through the Looking-Glass and What Alice Found There. Penguin Books.

Carroll, L. (2013). Alice: Aventuras de Alice no país das maravilhas & Através do espelho (M. L. X. de A. Borges, Trad.; Ed. comentada e ilustrada). Zahar.

Foucault, M. (1987). Vigiar e punir: Nascimento da prisão. Vozes.

Jesus, C. M. (2014). Diário de Bitita. SESI-SP.

Louro, G. L. (2018). Pedagogias da sexualidade. In G. L. Louro (Org.), O corpo educado: Pedagogias da sexualidade (4. ed., pp. 7–42). Autêntica.

Morais, F. L. (2020). Analítica Quare: Como ler o humano. Devires.

Six, N. (2013). Neil Gaiman’s Coraline as a neo-Victorian adaptation of Alice in Wonderland [Dissertação de Mestrado, Université catholique de Louvain]. Semantic Scholar. https://api.semanticscholar.org/CorpusID:231601584

Weeks, J. (2018). O corpo e a sexualidade. In G. L. Louro (Org.), O corpo educado: Pedagogias da sexualidade (4. ed., pp. 43–104). Autêntica.

Publicado
2026-03-05
Como Citar
Medeiros, R. L., & Nigro, C. M. C. (2026). ‘How queer everything is to-day!’: O corpo indomável de Alice nas obras de Lewis Carroll. Acta Scientiarum. Language and Culture, 48(1), e73881. https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v48i1.73881
Seção
Literatura

 

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