As feridas do humano: afetos, finitude e resistência
Resumo
A coletânea As pequenas doenças da eternidade (2023), de Mia Couto, reúne contos que exploram as fragilidades humanas diante da finitude, do abandono, da violência e da perda, tendo como pano de fundo tanto dramas cotidianos quanto eventos contemporâneos como a pandemia. Com uma linguagem poética e delicada, Couto constrói personagens marcados por dores silenciosas, que buscam, apesar de tudo, a sobrevivência afetiva e a dignidade. O autor moçambicano revisita temas caros à sua obra, como a memória, o afeto e a desigualdade, dialogando com epistemologias do sul e com uma crítica à masculinidade tóxica, como no conto “O meu primeiro pai”, em que o narrador relembra o pai alcoólatra e violento, tensionando os limites entre o amor, a raiva e o trauma. A obra propõe uma “epistemologia da ausência”, ao apresentar personagens que vivem à sombra do que perderam ou do que nunca puderam ser, numa estética que valoriza o não dito, o fragmentário e o simbólico. A pandemia, neste contexto, é apenas a face mais visível de um mundo já marcado por doenças maiores: o preconceito, a solidão e a invisibilidade social. No entanto, Mia Couto também aponta caminhos de resistência: pequenos gestos, lembranças e afetos que sustentam a esperança como prática cotidiana. Assim, a coletânea reafirma o poder da literatura de iluminar a condição humana e revelar, mesmo nas ruínas, a possibilidade de reinvenção.
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Referências
Brugioni, E. (2012). Mia Couto: Representação, história(s) e pós-colonialidade. Humus.
Connell, R. W. (1995). Masculinities. University of California Press.
Couto, M. (2023). As pequenas doenças da eternidade. Companhia das Letras.
Lorde, A. (1984). Sister outsider: Essays and speeches. Crossing Press.
Santos, B. S. (2020). A cruel pedagogia do vírus. Boitempo.
Copyright (c) 2026 Rodrigo Felipe Veloso

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