Guimarães Rosa na China: desafios e perspectivas tradutórias

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DOI:

https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v48.i2.81682

Palavras-chave:

tradução; interculturalidade; língua portuguesa, língua chinesa.

Resumo

A literatura de João Guimarães Rosa (1908–1967) é marcada pelo vernáculo sertanejo e inovações linguísticas, mesclando elementos da oralidade com neologismos que tornam a compreensão de suas obras consideravelmente desafiadora mesmo para o público brasileiro. Dada a sua notoriedade, o legado rosiano alcançou inúmeros países, dentre eles a China, cujas diferenças culturais e linguísticas em relação aos sertões brasileiros configuram um vasto campo de desafios, aportando considerável interesse para os estudos da tradução e interculturalidade. Este artigo buscou refletir sobre os desafios da tradução de obras rosianas para o chinês (mandarim), considerando aspectos interculturais presentes nas estratégias tradutórias. Para tanto, foram abordadas questões metodológicas inerentes a este estudo qualitativo de observação bibliográfica. Inicialmente, foi realizada uma concisa revisão de literatura sobre as traduções rosianas na China, iniciadas em fins do século XX, bem como considerações sobre o impacto das obras de Guimarães Rosa no contexto da crítica literária chinesa. Em seguida, alguns exemplos práticos da tradução de contos rosianos para o chinês são destacados, refletindo sobre os desafios encontrados e as estratégias tradutórias. A partir desses exemplos, foram identificadas diferenças e semelhanças culturais entre o público chinês e o brasileiro e investigadas as influências disso no texto de chegada. Por último, são feitas considerações finais sobre os desafios tradutórios abordados, o que se espera contribuir para pesquisas futuras.

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Publicado

2026-06-10

Edição

Seção

Literatura

Como Citar

Guimarães Rosa na China: desafios e perspectivas tradutórias. (2026). Acta Scientiarum. Language and Culture, 48(2), e81682. https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v48.i2.81682

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