Entre asas e mãos: o antropomorfismo na literatura infantil em Libras
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v48.i2.80042Palabras clave:
corpo; performance; tradução literária; cultura surda; expressividade.Resumen
O antropomorfismo, entendido como a atribuição de características humanas a seres não humanos, está presente em todas as culturas e se manifesta também nas línguas de sinais. Este artigo analisa o uso do antropomorfismo na literatura infantil em Libras, a partir da tradução audiovisual acessível da obra O Patinho Surdo (Rosa & Karnopp, 2005), realizada no âmbito do projeto de extensão universitária Cada Encontro eu Conto um Conto. Com abordagem qualitativa e caráter descritivo, a pesquisa fundamenta-se em autores como Sutton-Spence e Napoli (2010, 2014), Mattos (2013) e Bahan (2006), e tem por objetivo identificar e descrever as estratégias tradutórias e performáticas que evidenciam a presença do antropomorfismo nas narrativas sinalizadas. O corpus de análise foi constituído pela decupagem de cenas da tradução em Libras, observando elementos como uso de classificadores, sinais não manuais, expressividade facial e incorporação corporal dos personagens. Os resultados apontam que a sinalização antropomórfica não apenas adapta o texto original às especificidades visuais da Libras, mas também amplia seu potencial simbólico, estético e identitário. Conclui-se que o corpo do tradutor assume papel central na construção narrativa, convertendo-se em espaço de encarnação dos personagens e de expressão das experiências humanas e surdas. O antropomorfismo, nesse contexto, constitui-se como recurso de mediação cultural e valorização da diferença linguística.
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Referencias
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