Sobre monstras: Literatura contemporânea e feminismo na América Latina
Resumen
Monstros são seres que povoam a literatura desde os primeiros registros da palavra escrita. Justamente por supostamente oferecerem um contraponto muito evidente à humanidade, seres que recebem essa alcunha têm servido como mote para discuti-la desde os mais diversos parâmetros. No presente artigo, pretendemos explorar como a narração da monstruosidade para uma certa literatura contemporânea latino-americana tem servido como um poderoso recurso justamente para a denúncia das constantes situações de desumanização enfrentadas por mulheres em nosso continente. Os monstros, ou melhor, as monstras, que povoam textos fantásticos publicados por autoras latino-americanas nas últimas décadas se prestam, portanto, a leituras bastantes distintas das propostas pela modernidade. Adotando um corpus amplo formado por contos e romances recentes de autoras como Mariana Enríquez, Samanta Schweblin, María Fernanda Ampuero e Natália Borges Polesso pretendemos empregar referenciais teóricos próprios do feminismo latino-americano e da crítica feminista para apontar como o insólito, compreendido aqui como uma vertente do fantástico, na literatura contemporânea tem assumido dimensões estéticas e políticas consideravelmente relevantes. Para tanto, a primeira parte do artigo revisita algumas das vertentes teóricas mais canônicas do fantástico na literatura para contextualizar a produção das duas últimas décadas nesta tradição. Em seguida, são analisados trechos de obras das autoras mencionadas a partir de duas vertentes específicas: a elaboração da monstruosidade como estratégia de confronto a desumanização e uma aproximação à animalidade com esse mesmo fim.
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