Maternidade e a (re)descoberta de si mesma: uma análise da obra Quarenta Dias, de Maria Valéria Rezende
Résumé
A opressão e dominação femininas são frequentemente ancoradas nas percepções do corpo e da sexualidade da mulher, vistas como marcas de sua suposta inferioridade e negatividade. Essa visão tem influenciado profundamente as concepções de maternidade, moldadas pelos valores patriarcais que historicamente marginalizaram e silenciaram as mulheres. A experiência da maternidade foi idealizada como um ato de sacrifício e dedicação total da mulher aos seus filhos, pressupondo-se que o amor materno seja um sentimento natural e indiscutível. Além disso, ser mãe é frequentemente visto como uma validação da feminilidade da mulher, e a ausência dessa experiência é interpretada como um desvio de caráter. No entanto, discussões contemporâneas estão desafiando essa visão unilateral da maternidade, reconhecendo a diversidade de experiências que compõem o ser mãe. Nesse contexto, o presente estudo visa explorar a representação da maternidade na obra Quarenta dias (2014), de Maria Valéria Rezende. Este trabalho sugere que o livro oferece uma visão da maternidade que rompe com os padrões tradicionalmente atribuídos a essa experiência, revelando suas complexidades e ambiguidades a partir da compreensão do fazer materno pela personagem-narradora, Alice. Para fundamentar a discussão, o estudo se apoia em pesquisadoras como Chodorow (1978), Badinter (1980), Rich (1986) e Donath (2017).
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Références
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