O DIAGNÓSTICO DA PSICOPATIA AJUDA A ESCLARECER A ATUAL CRISE POLÃTICA BRASILEIRA?

Autores

  • Eduardo Mourão Vasconcelos Universidade Federal do Rio de Janeiro Autor

DOI:

https://doi.org/10.4025/cadadm.v28i0.53791

Palavras-chave:

Psicossociologia, Psicopatia, Imaginários coletivos, Crise Política

Resumo

Jornalistas e comentaristas políticos têm atribuído ao presidente Bolsonaro um diagnóstico de transtorno mental e, particularmente, o de psicopatia. Este breve ensaio propõe que um diagnóstico psiquiátrico apenas aponta para um quadro grave de subjetividade no governo, mas individualiza, reduz e escamoteia um fenômeno coletivo muito mais complexo e uma profunda e grave crise política, social e sanitária. Contudo, o texto não visa desprezar a contribuição de uma análise da dimensão subjetiva da atual crise, sugerindo para isso o uso de categorias e conceitos da psicossociologia para subsidiar esta avaliação, combinando-a com o exame de processos políticos, econômicos, sociais, culturais e comunicacionais. O resultado é a constatação de uma crise de dimensões trágicas para o país, que requer a mobilização de todas as forças democráticas para seu enfrentamento.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Eduardo Mourão Vasconcelos, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1978), mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (1985), doutorado em políticas sociais pela London School of Economics (1992) e pós-doutorado na Anglia Ruskin University, Cambridge, Reino Unido. É professor associado aposentado da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como professor voluntário do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social (PPGSS) da mesma unidade. É coordenador do projeto pesquisa e extensão Transversões (Saúde Mental, Desinstitucionalização e Abordagens Psicossociais), e pesquisador I-B de produtividade científica do Conselho Nacional de Pesquisa. Tem longa experiência e tem publicado regularmente sobre políticas sociais, movimentos sociais e psicologia social, com ênfase particular no campo da saúde mental, sendo reconhecido como uma das lideranças dos movimentos de reforma psiquiátrica e antimanicomial no país. Vem também pesquisando e sistematizando a atuação do Serviço Social brasileiro nas áreas das abordagens psicossociais e em saúde mental.

Referências

BROWN, W. Nas ruínas do neoliberalismo: a ascensão da política antidemocrática no Ocidente”. São Paulo: Filosófica Polítéia, 2019.
DAMATTA, R. Carnavais, malandros e heróis. Ed. 5, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1990.
ECO, H. O fascismo eterno. Rio de Janeiro: Record, 2018.
ENRIQUEZ, E. A organização em análise. Ed. 1, Petrópolis: Vozes, 1997.
KAËS, R. O grupo e o sujeito no grupo: elementos para uma teoria psicanalítica dos grupos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.
LEVY, A., NICOLAI A., ENRIQUEZ, E. E DUBOST, J. Psicossociologia: análise social e intervenção. Petrópolis: Vozes, 1994
MBEMBE, A. Necropolítica. São Paulo, Ed, N-1, 2019
QUEIROZ, M. I. P. O messianismo no Brasil e no mundo. São Paulo: Dominus/Editora da USP, 1965.
SARTRE, J-P. Critique de la raison dialectique. Paris: Gallimard, 1960
WACQUANT, L. As prisões da miséria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001
WACQUANT, L. A miséria governada através do sistema penal. Rio de Janeiro: Revan, 2006.

Downloads

Publicado

2020-06-04

Edição

Seção

Imaginário Social e Políticas Públicas em Desconstrução

Como Citar

O DIAGNÓSTICO DA PSICOPATIA AJUDA A ESCLARECER A ATUAL CRISE POLÍTICA BRASILEIRA?. (2020). Caderno De Administração, 28, 21-26. https://doi.org/10.4025/cadadm.v28i0.53791