O cuidado à s pessoas em sofrimento psíquico e suas repercussões na família
DOI:
https://doi.org/10.4025/ciencuidsaude.v22i0.65970Palavras-chave:
Apoio social, Cuidadores, Desinstitucionalização, Família, Assistência à saúde mentalResumo
Objetivo: compreender como o cuidado cotidiano das pessoas em sofrimento psíquico repercute na vida do familiar cuidador e mensurar o seu nível de sobrecarga. Método: trata-se de um estudo exploratório e descritivo, de abordagem mista. A coleta de dados foi realizada utilizando-se entrevista semiestruturada e aplicação da escala Zarit Burden Interview com quinze familiares de pessoas em sofrimento psíquico que são acompanhadas numa unidade do Centro de Atenção Psicossocial III de um município da Região Metropolitana de Salvador. Os dados foram coletados entre os meses de fevereiro e agosto de 2021 e organizados e analisados segundo a Técnica de Análise de Conteúdo Temática e discutidos com base na literatura. Resultados: com a correlação das variáveis foi possível inferir o nível de sobrecarga objetiva e subjetiva, além dos sentimentos expressos por esses familiares. Seis familiares tiveram avaliação, a partir da escala ZBI, de sobrecarga moderada a severa, com pontuações variando entre 43 e 54. A partir das unidades de significado emergiram três categorias temáticas que permitiram ilustrar, conforme o infográfico, a representação de como o cuidado cotidiano das pessoas em sofrimento psíquico repercute na vida do familiar cuidador. Considerações finais: apreendeu-se que o cuidado à s pessoas em sofrimento psíquico tem sido realizado predominantemente por mulheres negras, refletindo as desigualdades de gênero e raça, envolve sentimentos e expectativas ambivalentes, níveis diferenciados de sobrecarga e necessidade de suporte social e do Estado.
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