A construção de sentindo e a consciência histórica de professores sobre o ensino da independência brasileira
Resumo
Este artigo analisa as formas de consciência histórica mobilizadas por professores de História ao ensinarem sobre o processo de Independência do Brasil. A investigação insere-se no contexto das comemorações do Bicentenário da Independência (2022), momento em que se intensificaram os debates sobre a narrativa hegemônica que apresenta esse acontecimento como pacífico e sem participação popular, conforme apontam Pimenta (2008) e Cirino (2023). O estudo tem como objetivo compreender como esses docentes constroem sentidos sobre esse evento, com base nas respostas à questão 7 de um questionário aplicado pelo Grupo de Pesquisa História e Ensino da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no âmbito do projeto “Independência do Brasil e seu Bicentenário”. A análise fundamenta-se nos tipos de consciência histórica e nas formas de constituição de sentido propostas por Jörn Rüsen (2010), articuladas às contribuições de Peter Lee (2001, 2003), Ronaldo Cardoso Alves (2011), Maria Auxiliadora Schmidt (2006), Marlene Cainelli (2008) e outros autores da Educação Histórica. A análise, com base na Grounded Theory, evidenciou uma predominância de interpretações críticas entre os docentes, com destaque para a problematização da narrativa tradicional da independência. Observa-se o esforço em incorporar múltiplas temporalidades, conflitos regionais e sujeitos historicamente silenciados, o que indica um movimento de reconstrução do passado orientado por perspectivas mais reflexivas e plurais.
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Referências
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