MEDICALIZAÇÃO, DISLEXIA E TDA/H NO ENSINO SUPERIOR: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL

Autores

  • Thais de Sousa Rodrigues Universidade Federal de Uberlândia Autor
  • Silvia Maria Cintra da Silva Universidade Federal de Uberlândia Autor

DOI:

https://doi.org/10.4025/psicolestud.v26i0.46549

Palavras-chave:

Medicalização, ensino superior, teoria histórico-cultural.

Resumo

Entende-se por medicalização o processo pelo qual situações cotidianas são individualizadas e transformadas em problemas médicos. O ensino superior tem sido alvo de práticas medicalizantes, principalmente em relação ao Transtorno de Déficit de Atenção com/sem Hiperatividade (TDA/H) e dislexia, uma vez que não existe um consenso sobre a existência destes supostos transtornos. Desta forma, esta pesquisa teve como objetivo conhecer e analisar os laudos de dislexia e TDA/H utilizados para o ingresso no ensino superior a partir das contribuições da Teoria Histórico-Cultural. Neste estudo, foi realizado um levantamento dos laudos nos anos de 2003 a 2016 apresentados por candidatos junto ao setor responsável pelos processos seletivos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Foram elencados 809 requerimentos, em que 96 candidatos tinham laudos de dislexia e/ou TDA/H, sendo 42 do sexo feminino e 54 do masculino, 34 destes com intenção para o curso de medicina. O número de requerimentos aumentou de 2003 para 2016, assim como o uso de medicamentos, sendo que 32 candidatos comprovam o uso do composto cloridrato de metilfenidato. Neste sentido, perguntamo-nos se os diagnósticos e fármacos têm sido utilizados para facilitar o ingresso ao ensino superior. Além disso, é imprescindível que o atendimento especial a candidatos com laudos de dislexia e TDA/H seja repensado e tais pseudodiagnósticos desconstruídos, uma vez que culminam na proliferação de laudos, aumento do consumo de fármacos e, consequentemente, contribuem para o processo de medicalização da vida.

 

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Biografia do Autor

  • Thais de Sousa Rodrigues, Universidade Federal de Uberlândia
    Psicóloga e Mestra em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia. Atua como psicóloga escolar na Prefeitura Municipal de Araguari.
  • Silvia Maria Cintra da Silva, Universidade Federal de Uberlândia
    Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1990), mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1993) e doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2002). Realizou pós-doutorado na USP, no Programa de Pós Graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (2007). Professora Titular da Universidade Federal de Uberlândia, ministra aulas na graduação e no mestrado do Instituto de Psicologia e supervisiona estágio na área de Psicologia Escolar. Foi coordenadora do Curso de Graduação em Psicologia. Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia. Ocupou o cargo de Presidente Atual da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE) (gestão 2014-2016) e é a atual 1a. Secretária (gestão 2018-2020). Editora da Revista Psicologia Escolar e Educacional. Participa do GT de Psicologia e Políticas Educacionais da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia - ANPEPP. Temas de interesse: psicologia escolar, formação e atuação do psicólogo escolar e arte.

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Publicado

2021-07-19

Edição

Seção

Artigos originais

Como Citar

Rodrigues, T. de S., & Silva, S. M. C. da. (2021). MEDICALIZAÇÃO, DISLEXIA E TDA/H NO ENSINO SUPERIOR: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL. Psicologia Em Estudo, 26. https://doi.org/10.4025/psicolestud.v26i0.46549