PSICOLOGIA ANALÍTICA PÓS-JUNGUIANA COMO ALTERNATIVA ÀS DIFERENÇAS DE GÊNERO NO DESENVOLVIMENTO MORAL
Resumo
A teoria do desenvolvimento moral de Lawrence Kolberg foi acusada de androcentrismo e sexismo por Carol Gilligan, que argumentou que as mulheres partem de uma estrutura de raciocínio moral distinta dos homens: a ética do cuidado. Contudo, ao justificar o porquê das diferenças de gênero, Gilligan subsidiou-se na Psicanálise, a qual a levou ao determinismo psíquico e ao binarismo de gênero. Diante disso, por meio de revisão bibliográfica, este artigo propõe uma nova interpretação emancipatoriamente feminista sobre essas diferenças, com base na Psicologia Analítica pós-junguiana. Revisitou-se a justificativa de Gilligan, comparando-a às prerrogativas junguianas, em especial pós-junguianas, e essa última pode ser amparada por pesquisas que inferem não haver predominância de gênero nas estruturas morais. Este artigo, por um lado, critica o posicionamento inicial de Gilligan, que na época foi interpretado como essencialista, mas reconhecendo sua própria evolução teórica: em seus estudos posteriores, a autora refinou suas ideias, enfrentando e desfazendo a armadilha essencialista que se criou em torno de sua obra. Por outro lado, resgatando a contribuição da Psicologia pós-junguiana e oferecendo uma alternativa à fundamentação na Psicanálise por Gilligan, conclui que a Ética da Justiça e a Ética do Cuidado podem compor o patrimônio moral de homens e mulheres, sem distinção ou relação de predominância segundo o gênero, apontando assim para a necessidade de utilizar-se dessa abordagem no campo da Psicologia Moral.
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