PSICOLOGIA ANALÍTICA PÓS-JUNGUIANA COMO ALTERNATIVA ÀS DIFERENÇAS DE GÊNERO NO DESENVOLVIMENTO MORAL

Palavras-chave: Desenvolvimento moral;, diferenças de gênero;, psicologia analítica.

Resumo

A teoria do desenvolvimento moral de Lawrence Kolberg foi acusada de androcentrismo e sexismo por Carol Gilligan, que argumentou que as mulheres partem de uma estrutura de raciocínio moral distinta dos homens: a ética do cuidado. Contudo, ao justificar o porquê das diferenças de gênero, Gilligan subsidiou-se na Psicanálise, a qual a levou ao determinismo psíquico e ao binarismo de gênero. Diante disso, por meio de revisão bibliográfica, este artigo propõe uma nova interpretação emancipatoriamente feminista sobre essas diferenças, com base na Psicologia Analítica pós-junguiana. Revisitou-se a justificativa de Gilligan, comparando-a às prerrogativas junguianas, em especial pós-junguianas, e essa última pode ser amparada por pesquisas que inferem não haver predominância de gênero nas estruturas morais. Este artigo, por um lado, critica o posicionamento inicial de Gilligan, que na época foi interpretado como essencialista, mas reconhecendo sua própria evolução teórica: em seus estudos posteriores, a autora refinou suas ideias, enfrentando e desfazendo a armadilha essencialista que se criou em torno de sua obra. Por outro lado, resgatando a contribuição da Psicologia pós-junguiana e oferecendo uma alternativa à fundamentação na Psicanálise por Gilligan, conclui que a Ética da Justiça e a Ética do Cuidado podem compor o patrimônio moral de homens e mulheres, sem distinção ou relação de predominância segundo o gênero, apontando assim para a necessidade de utilizar-se dessa abordagem no campo da Psicologia Moral.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Matheus Estevão Ferreira da Silva, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), Campus de Marília e Faculdade de Ciências e Letras (FCL), Campus de Assis

Mestrando em Educação e Pedagogo pela Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Campus de Marília, e graduando em Psicologia pela Faculdade de Ciências e Letras (FCL), UNESP, Campus de Assis. Foi bolsista de Iniciação Científica FAPESP em ambas graduações e atualmente é bolsista de Mestrado da FAPESP.

Carla Chiari, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), Campus de Marília País

Possui graduação em Psicologia (2010) pela Universidade de Marília (UNIMAR), em Pedagogia (2016) pela Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), Campus de Marília e é mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da mesma instituição. Atua como psicóloga de abordagem junguiana em clínica particular e como orientadora vocacional em escola particular.

Priscila Caroline Miguel, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), Campus de Marília

Possui graduação em Psicologia (2010) pela Universidade de Marília (UNIMAR) e é mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), Campus de Marília. Foi Facilitadora Pedagógica da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP) e atua como psicóloga de abordagem freudiana em clínica particular.

Patrícia Unger Raphael Bataglia, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), Campus de Marília

Professora Assistente do Departamento de Psicologia da Educação (DPE) da Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília (FFC/UNESP) e docente e Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da mesma instituição. Possui Mestrado e Doutorado em Psicologia Social (1996 e 2001) pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP/USP). É membro da Comissão de Ética do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP) e Fundadora e Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Psicologia Moral e Educação Integral (GEPPEI).

Referências

Aufranc, A. L. B. (2018). Expressões da sexualidade: um olhar junguiano. Junguiana, 36(1), 37-48. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/pdf/jung/v36n1/07.pdf
Brabo, T. S. A. M. (2015). Movimentos sociais e educação: feminismo e equidade de gênero. In Dal Ri, N. M., & Brabo, T. S. A. M. (Orgs.), Políticas educacionais, gestão democrática e movimentos sociais (pp. 109-128). Marília: Oficina Universitária.
Butler, J. (2017). A vida psíquica do poder: Teorias da sujeição. Belo Horizonte: Autêntica.
Chodorow, N. (1991). Psicanálise da maternidade: uma crítica de Freud a partir da mulher. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos.
Derry, R. (1989). An empirical study of moral reasoning among managers. Journal of Business Ethics, 8(11), 855-862. Recuperado de https://link.springer.com/article/10.1007/BF00384528
Freud, S. (2016a). A dissolução do complexo de édipo (1924) (J. Salomão, Trad.). In S. Freud. O ego e o Id e outros trabalhos (vol. 19, pp. 101-126). São Paulo: Companhia das Letras.
Freud, S. (2016b). O ego e o id (1923) (J. Salomão, Trad.). In S. Freud. O ego e o Id e outros trabalhos (vol. 19, pp. 25-66). São Paulo: Companhia das Letras.
Gilligan, C. (1982). Uma voz diferente: psicologia da diferença entre homens e mulheres da infância à idade adulta (Nathanael C. Caixeiro, Trad.). Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos.
Gilligan, C. (2011). Looking back to look forward: revisiting in a different voice. Classics@, Issue 9. Recuperado de http://nrs.harvard.edu/urn-3:hul.ebook:CHS_Classicsat
Jung, C. G. (2017). Development of personality. 2. ed. Princeton: Princeton University Press.
Jung, C. G. (2016). Psychology of the unconscious. Eastford: Martino Fine Books.
Kohlberg, L. (2017). Resolving, moral conflicts within the just community. In C. G. Harding. Moral dilemmas and ethical reasoning (pp. 71-98). London/New York: Routledge.
Kuhnen. T. A. (2015). O princípio universalizável do cuidado: superando limites de gênero na teoria moral, (Tese de Doutorado). Recuperado de https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/132604
Laplanche, J.; Pontalis, J. B. (2016). Vocabulário da Psicanálise. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes.
Lourenço, O. M. (2006). Psicologia do desenvolvimento moral: Teoria, dados e implicações (3a. ed.). Coimbra: Almedina.
McKenzie, S. (2006). Queering gender: anima/animus and the paradigm of emergence. Journal of Analytical Psychology, 51, 401–421. https://doi.org/10.1111/j.0021-8774.2006.00599.x
Montenegro, T. (2003). Diferenças de gênero e desenvolvimento moral das mulheres. Estudos Feministas, Rio de Janeiro, 11(2), 493-508. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/ref/v11n2/19133.pdf
Moraes, F. F. (2017). Entorno da anima e animus: algumas reflexões sobre machismo e atualidade. CEPAES. Recuperado de https://cepaes.com.br/blog/texto-entorno-da-anima-e-animus-algumas-reflexoes-sobre-machismo-e-atualidade
Nogueira, C. (2017). Interseccionalidade e psicologia feminista. Salvador: Devires.
Piaget, J. (1994). O juízo moral na criança (Elzon Lenardon, Trad.). São Paulo: Summus.
Pierre, P. F. (2019). Dicionário junguiano. São Paulo: Paulus.
Ribeiro, A. de S., & Pátaro, R. F. (2015). Reflexões sobre o sexismo a partir do cotidiano escolar. Revista Educação e Linguagens, Campo Mourão, 4(6), 156-175. Recuperado de http://www.fecilcam.br/revista/index.php/educacaoelinguagens/article/view/806
Sengupta, J., Saraswathi, T. S., & Konantambigi, R. (1994). Gender differences in moral orientations: how different is the voice? Unpublished manuscript. University of Baroda, India.
Silva, M. E. F. da, & Brabo, T. S. A. M. (2016). A introdução dos papéis de gênero na infância: brinquedo de menina e/ou de menino?. Revista Trama Interdisciplinar, São Paulo, 7(3), set./dez., 127-140. Recuperado de http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/tint/article/view/9856
Skoe, E. E. A. (2016). Measuring care-based moral development: The Ethic of Care Interview. Behavioral Development Bulletin, 19(3), 95-104. https://doi.org/10.1037/h0100594
Tronto, J. C. (2018). Care as a political concept. In N. J. Hirschmann (Ed.). Revisioning the political: feminist reconstructions of traditional concepts in western political (pp. 139-156). Abingdon: Francis.
Publicado
2026-02-02
Como Citar
Silva, M. E. F. da, Chiari, C., Miguel, P. C., & Bataglia, P. U. R. (2026). PSICOLOGIA ANALÍTICA PÓS-JUNGUIANA COMO ALTERNATIVA ÀS DIFERENÇAS DE GÊNERO NO DESENVOLVIMENTO MORAL. Psicologia Em Estudo, 31(1). https://doi.org/10.4025/psicolestud.v31i1.60900
Seção
Artigos originais

 

0.3
2019CiteScore
 
 
7th percentile
Powered by  Scopus

 

 

0.3
2019CiteScore
 
 
7th percentile
Powered by  Scopus