RELAÇÕES ENTRE RESILIÊNCIA, TRAUMA E ENVELHECIMENTO
Resumo
À medida que envelhece, cada indivíduo apresenta sua maneira de lidar com as mudanças e com as perdas próprias do envelhecimento. Alguns sofrem de uma angústia de que são incapazes de se recuperar, outros sofrem menos intensamente e por um período bem menor de tempo. Entretanto, a maioria parece tolerar bem os estragos temporários das situações de adversidade, desta forma, o interesse dos estudos tem sido direcionado aos fatores de resiliência em potencial que podem fornecer resistência mental. Por resiliência entende-se o conjunto de processos sociais e intrapsíquicos que possibilitam o desenvolvimento saudável da pessoa, mesmo esta vivenciando experiências desfavoráveis. Com o intuito de verificar o quanto os eventos potencialmente traumatizantes e as adversidades ao longo da vida são responsáveis pelo desenvolvimento da capacidade de resiliência no indivíduo idoso longevo, foi realizada pesquisa qualitativa com 5 idosas. Como resultado obteve-se as seguintes conclusões: 1) Para haver resiliência é preciso haver um evento traumático prévio; 2) As vivências traumáticas não podem transbordar a capacidade que cada indivíduo tem para lidar com elas; 3) Vivências de apego seguro na infância são fundamentais para desenvolver a capacidade de resiliência; 4) A capacidade de realizar o trabalho de luto está diretamente relacionada com a capacidade de resiliência; 5) Os mecanismos de defesa maduros estão relacionados à capacidade resiliente; 6) Os autoconceitos estão diretamente relacionados à capacidade resiliente e 7) A espiritualidade ajuda na capacidade resiliente do indivíduo, porém não é fundamental. Dessa forma, essa pesquisa investiga como as experiências traumáticas contribuem para o desenvolvimento da resiliência em indivíduos na velhice.
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