Uma explanação a respeito da semivocalização das líquidas na aquisição da fonologia no Português Brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v47i1.72728Palavras-chave:
fonoaudiologia; aquisição da linguagem; transtorno dos sons da fala; consoantes líquidas; semivocalização.Resumo
Este trabalho tem como objetivo propor um argumento para o fenômeno de semivocalização das líquidas na fala de crianças com Transtorno dos Sons da Fala (doravante TSF). Precisamente, deseja discutir a manifestação dos fonemas /l, ÊŽ, ɾ, R/, quando substituídos pelas semivogais [j, w]. A amostra deste estudo é constituída por dados secundários de 63 crianças oriundos de um banco de dados, o qual integra dados de fala de crianças com TSF entre 5 e 10 anos. Submetidos os dados ao programa estatístico Goldvarb-X, os resultados sugerem que o tipo de líquida, o sexo, o grau de severidade, o contexto seguinte e o contexto precedente têm papel na semivocalização das líquidas. A explicação para as substituições de líquidas por glides foi guiada pelas propostas de Bisol (1994-2019) e Walsh (1995), que atribuem à s líquidas características vocálicas. Agregado a essas propostas, o presente estudo configura as líquidas como segmentos complexos, por apresentarem, em sua constituição interna, um nó vocálico a que está associado o nó de ponto de articulação secundário, entendendo-se esse como o nó que domina o traço flutuante ‘coronal’ ‘dorsal’. A partir dessa interpretação, explicam-se as substituições de líquidas por glides no processo de aquisição da linguagem por criança com TSF.
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